OS BASTIDORES DA NOTÍCIA
De Luis Nassif analisando o comportamente de “Veja” e de seus pistoleiros de aluguel:
Para entender o jogo de vazamentos de informação e os movimentos dos últimos dias:
• O JN solta a nota sobre o novo pedido de prisão de Daniel Dantas.
• Vazam para o Estadão nota sobre o grampo da Polícia Federal que pegou diálogos do genro do Lula. Lá sei eu qual o trabalho do genro, não coloco a mão no fogo. Mas a questão é que os diálogos transcritos são irrelevantes, a rigor não provam nada. A matéria do correto Fausto Macedo é clara:
“Não há nos autos nada que incrimine Sato e Décio com a trama de operações cambiais ilegais, ocultação de bens, licitações fraudulentas, movimentações financeiras por laranjas e simulação de transações comerciais com emprego de papéis forjados. Mas a escuta federal mostra que eles fazem parte do círculo de amizades e influências do empresário que teria sido o mentor do esquema”.
O tal empresário, em questão, é Francisco Ramos, da Agenco do Brasil, até pouco tempo atrás uma das maiores exportadoras de soja do mundo, com ações negociadas na Bolsa de Valores. Ou seja, meio mundo tinha relações com a empresa antes da descoberta da fraude.
O que está por trás do vazamento é que importa.
Por exemplo, lobista explícito de Daniel Dantas na Veja, Diogo Mainardi repercute a história do grampo no genro, a partir de notas de jornais de Santa Catarina. Sem as ressalvas de Fausto é óbvio. E é óbvio que repassa um aviso ou uma ameaça.
Em suma, há mais coisas no ar do que aviões de carreira. Há coisas por acontecer, como informa a curtíssima matéria no Jornal Nacional. É isso que a edição desta semana da Veja – em seu trabalho quase suicida de tentar dobrar cada vez mais a aposta – deixa claro.
A revista requentou a declaração da tal desembargadora que tinha falado dos grampos no Supremo. Tenta se valer do álibi do anti-lulismo, para tentar transformar uma caso de polícia em caso de política. Insinua que a PF protegia o governo – apesar de Gilberto Carvalho ter sido grampeado. Menciona que desapareceram dados que poderiam comprometer líderes do PT com o “mensalão”. Nada diz sobre o desaparecimento do HD de Dantas em uma das operações. Nem da estranha coincidência de ter acabado a fita do vídeo que monitorava o escritório do espião israelense, justamente no período em que teria havido a suposta visita do advogado de Dantas ao seu escritório. Nem do fato de Dantas, autor um dossiê falso, com acusações pesadíssimas contra membros do governo, ter sido enquadrado em “crime de imprensa” – primeiro caso na história em que um não jornalista é enquadrado na Lei da Imprensa.
E – óbvio – não apresentou um dado sequer corroborando que o grampo no STF foi praticado pela ABIN. Fica cada vez mais nítido que foi uma armação da revista.
Desta vez, o texto da Veja não ficou nas mãos dos “aloprados” da revista. Passou por um advogado que colocou as ressalvas legais no meio, garantindo a defesa legal contra a manipulação das ênfases por parte da revista.
“A desembargadora foi aconselhada pelos delegados que investigam o caso a não comentar o teor de seu depoimento. “Não posso falar sobre isso. Está protegido por segredo de Justiça”, disse ela. Os investigadores temem que o vazamento dos detalhes prejudique a produção de provas. Frise-se que, mesmo que tenha recebido os tais informes, De Sanctis poderia não ter conhecimento dos métodos empregados na elaboração deles – apesar de serem públicas e notórias as relações próximas entre o juiz e o delegado Protógenes Queiroz, o comandante da Operação Satiagraha. Nesse sentido, a própria desembargadora foi cuidadosa em seu depoimento. Em nenhum momento ela afirmou que De Sanctis mencionou o uso de meios ilegais de espionagem na produção dos tais informes, como escutas clandestinas em telefones ou no gabinete do ministro. O juiz, inclusive, já negou à CPI dos Grampos que tenha relatado o que declara a desembargadora. Ele também disse que não autorizou nenhum tipo de monitoramento do presidente do Supremo. “Sobre esse tema eu não vou falar”, afirmou a VEJA. A um amigo, De Sanctis contou que tem uma testemunha para provar que a conversa com a desembargadora não passou por esse tipo de assunto”.
Ou seja, tem-se um depoimento protegido por segredo de Justiça. Tem-se o presidente do Supremo Tribunal Federal almoçando na Veja – depois de ter participado da pantomima do grampo. E tem-se a informação – que é segredo de Justiça – vazada para a revista.
Conclusão: há um vôo desesperado, como de morcegos alvoroçados em uma caverna escura.
É muita imprudência junta, que não se explica nem pela arrogância nem pela onipotência. Essa caminhada da revista, explicitando suas intenções de forma tão imprudente, é sinal inequívoco de que se meteu em uma grande enrascada. E não sabe como se livrar do pepino.



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21/09/08 às 8:34
Moreno entrega ministro Nelson Jobim
Viceja neste final de semana um movimento de jornalistas que já tiveram como fonte o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ensaiam produzir um memorial que conteria tudo que já receberam da fonte Jobim. Nessas conversas, há quem se recorde, inclusive, da terceira fornada dos grampos do BNDES. Sem esquecer os bastidores da Constituinte de 1988, essa mesma que ele reescreveu ao final, secretamente, ao seu bel-prazer.
Ainda sem realizar uma reunião para definir as suas diretrizes, o movimento já conta com a liderança (sem que nem ele mesmo saiba) do jornalista Jorge Bastos Moreno – o graaaaaaaaaaaaaaaaande Moreno, craque da crônica política.
Em sua coluna no jornal O Globo, Moreno revelou desapontamento com as declarações de Jobim em recente aparição no Congresso.
Em depoimento à CPI dos Grampos, Jobim defendeu mudanças na legislação para punir vazadores de grampos telefônicos e jornalistas que os publiquem. Na doutrinação jurídica aos congressistas, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) defendeu ainda que, em alguns casos, os repórteres devem revelar suas fontes.
- Os senhores terão que prestar atenção não só no interceptador ilícito, mas também no vazador de informações. Se os senhores não fecharem as duas pontas, vai continuar a acontecer o que está acontecendo – vaticinou o ministro.
Diante de profunda análise do nosso ordenamento jurídico, Moreno teve que entregar Jobim: este foi uma das suas melhores fontes em Brasília. Preocupado com a estabilidade da República, o jornalista pede uma trégua:
- …Ministro, é bom parar por aí! Se a lei me obrigar a revelar, retroativamente, minhas fontes, nós dois cairemos.
Terra Magazine sente-se no dever de publicar a íntegra da nota de Jorge Bastos Moreno, na coluna “Nhenhenhém”, no jornal O Globo deste 20 de setembro.
‘Caro Jobim, foi bom para você também?’
“Desde o tempo dos seus banhos noturnos no Xingu que o Jobim das Selvas vem matando a cobra. Agora virou a própria cobra e passou a dar paulada na mídia.
Na semana passada, Jobim faltou ao trabalho por causa de uma alergia provocada por uma indisposição gástrica.
Agora, descobre-se que o ministro está com alergia à democracia. Sua proposta de obrigar o repórter a revelar a fonte só pode ser fruto de uma idiossincrasia, e, como tal, requer um tratamento extremo: uma traqueostomia, para que ele volte a respirar os ares do seu belo passado constitucionalista.
Jobim quer medir a mídia com a sua própria régua: guardou durante anos, como fonte de si mesmo, os segredos de ter adulterado votações da Constituinte e, recentemente, traído pela vaidade, acabou entregando a própria fonte, só pelo prazer de exibir os poderes que tinha na época.
Conheço profissionalmente Jobim há mais de 20 anos, antes mesmo de a Adrianne começar a mandar nele, e sou testemunha da sua retidão. Ele foi uma das minhas melhores fontes.
Portanto, ministro, é bom parar por aí! Se a lei me obrigar a revelar, retroativamente, minhas fontes, nós dois cairemos.
O senhor, por tudo o que já me disse. E eu, por ter publicado no jornal. O pacto sempre foi bom para nós dois.”
Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3197602-EI6584,00.html
21/09/08 às 8:39
As mil e uma faces de Jobim
(…)
Na mais polêmica CPI em andamento em Brasília, Jobim se superou esta semana. Fez de tudo para convencer gregos e baianos. Esgotou praticamente seu estoque de máscaras e potes de “make-up”, mas acabou sem saber direito que papel representar: o veemente bacharel do Rio Grande no começo da carreira? O parlamentar constitucionalista de 88 cheio de truques e retórica? O jurista articulador que alcançou o mais alto posto do Supremo Tribunal Federal? O político que não tira os olhos da sucessão presidencial em 2010? O conspirador palaciano que mesmo sem provas atira às feras o colega de ministério (general Félix), e faz o presidente da República afastar o diretor da Abin, Paulo Lacerda? Ou o civil que veste farda do Exército e tenta aproveitar os holofotes da TV para sugerir restrições à liberdade de imprensa?
(…)
Na maior parte do tempo, porém, o ministro Jobim atuou para o público em festival de cinema, como Lon Chaney, o ator fascinado pela maquiagem. Flanou em sua tarde de “aula no Congresso”, diante de deputados embevecidos e complacentes. Não questionaram sequer a confissão sorridente (o que é raro no em geral sisudo gaúcho), de que no auge do barulho causado pelo escândalo levantado pela Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas (personagem central de toda a trama), Jobim recebeu em casa a “visita de cordialidade” do ex-ministro José Dirceu. “Foi me levar uma caixa de charutos”, explicou, e mais não disse nem foi perguntado.
(…)
Mais estranho mesmo só uma reunião que “o homem das mil e uma faces” do governo Lula comandou recentemente no âmbito de sua Pasta. Presentes, além do chefe da Defesa, diretores da Infraero, diretoria da ANAC, representantes de companhias aéreas, da SAC (Secretaria da Aviação Civil) – idealizada pelo ex-ministro Waldir Pires -, entre outros. No ar, vibrava a previsão da privatização dos aeroportos do Galeão e Viracopos, quando entrou em discussão um projeto de diretor da Infraero sobre a licitação de todas as áreas pertencentes ao órgão nesses aeroportos (os mais lucrativos do País), incluindo os balcões de “chek-in”, usados à vontade – “a migué” como dizem os baianos – pelas empresas privadas de aviação, sem qualquer competição pública.
21/09/08 às 8:40
Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3196615-EI6578,00.html