Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

PAI E FILHO

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Na IstoÉ que está chegando às bancas, uma longa reportagem com Carlos Alexandre Azevedo.

Filho do jornalista potiguar Dermi Azevedo, militante de esquerda, Carlos Alexandre foi preso e torturado quando era bebê. Cresceu agressivo e isolado. Aos 37 anos, ele ainda sente os efeitos dos anos de chumbo: vive recluso, sem trabalho nem amigos – sofre de fobia social.

Confiram trechos da reportagem de Solange Azevedo:

Ele tem olhos de aflição e feições de dor. Suas palavras saem cadenciadas, são quase sussurros. “Minha família nunca conseguiu se recuperar totalmente dos abusos sofridos durante a ditadura”, diz. “Os meus pais foram presos e eu fui usado para pressioná-los.” Carlos Alexandre Azevedo tinha 1 ano e 8 meses quando policiais invadiram a casa da família, na zona sul de São Paulo, e o levaram para a sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Era 15 de janeiro de 1974.

Bem armados e truculentos, os agentes da repressão o encontraram na companhia da babá – uma moça de origem nordestina conhecida como Joana. Chegaram dando ordens. Exigiram que os dois permanecessem imóveis no sofá. Apenas Joana obedeceu. Como castigo pelo choro persistente, Carlos Alexandre levou uma bofetada tão forte que acabou com os lábios cortados. Foram mais de 15 horas de agonia. O drama de Carlos Alexandre – um dos mais surpreendentes dos anos de chumbo – veio à tona no momento em que o governo brasileiro discute a criação da Comissão Nacional da Verdade para apurar casos de tortura, sequestros, desaparecimentos e violações de direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985).

Carlos Alexandre decidiu revelar sua história, com exclusividade, à ISTOÉ depois que o seu processo de anistia foi julgado pelo Ministério da Justiça. No dia 13 de janeiro, ele foi declarado “anistiado político”. Deve receber uma indenização de R$ 100 mil por ter sido vítima dos militares. “Muita gente ainda acha que não houve ditadura nem tortura no Brasil. No julgamento, em Brasília, me senti compreendido.

Para ler na íntegra, clique aqui.

10 respostas para 'PAI E FILHO'

  1. françois silvestre Diz:

    Ainda há fascistas que incluem a tortura na anistia. A tortura é crime comum, qualificado, com apoio e grana oficial. Dinheiro do torturado pagando aos sádicos da ditadura escrota. Imprescritível. mesmo que não se puna o torturador é preciso identificá-lo e expor à luz da história o seu nome. Castelo Branco, Costa e Silva, Médice e Figueiredo tinham conhecimento da tortura.Os políticos também. alguns que estão aí ao lado de Lula, que foi preso mas não torturado. A tortura não se qualifica no mundo jurídico. É da área da monstruosidade. E o que é monstruoso não se esquece. A liberdade precisa da memória!

  2. Pedro Diz:

    Fala grande Ailton..

    Minha solidariedade e meu pesar a todos que foram presos , torturados, mortos, seus familiares..filhos, esposas, pais, parentes. NO Rio Grande do Norte.. muitos se insurgiram contra o poder ditatorial arbitrariamente estabelecido com a cumplicidade das elites.. Aqueles que sobreviveram sofrem com os lembranças daqueles anos..terríveis…
    Seria muito interessante que se fizesse uma tentativa de esclarecer este passado sombrio que atormenta a todos.. torturadores, torturados, matadores.. mortos, filhos.. e se fazer uma ultrapassagem destes momentos traumáticos, para que a nossa sociedade brasileira.. continue a se desenvolver..

    abs. Pedro

  3. Alex Escobar Diz:

    http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2010/01/31/04029C3266D4912326.jhtm?rio-de-janeiro-tem-98-de-suas-principais-vias-com-buracos-04029C3266D4912326
    Lembrei de vc nessa matéria. 98% das principais vias do Rio de Janeiro têm buracos.
    Cidade perfeita

  4. Jarbas Martins Diz:

    Parabéns, Ailton, pelo seu digno trabalho jornalístico, denunciando os crimes praticados pela ditadura militar.Há muita gente calada e esquecida (entre aspas) do Horror que foi esse,
    não tão distante ,passado.E parabéns,também, para
    a revista Isto é.

  5. Ailton Medeiros Diz:

    Alex, lá é buraco, aqui é cratera. Não esqueça que a mídia carioca é bastante crítica, qualquer buraco se torna manchete de jornal. Estive recentemente no Rio e não vi nada disso. A Avenida Brasil, porém, parece um queijo suíço.

  6. Willian Pinheiro Diz:

    O nobre François é um craque na literatura, mas no direito… a imprescritibilidade não pode ser usado nesse contexto… a lei da tortura é de 1997, então não pode ser utilizada para punir crimes anteriores…

  7. françois silvestre Diz:

    Tudo bem meu caro Willian, mas você há de convir que ditadura, tortura e ausência de liberdade não é matéria jurídica. Cabe no campo da história. e a história é muito maior do que o tempo e o templo das normas legais. Mesmo assim, obrigado pela contestação inteligente.

  8. dermi azevedo Diz:

    Prezado Ailton,
    parabéns pelo seu blog, dinâmico e atualizado. Depois de tantos anos, o caso do meu filho e nosso, torna-se público. Lembro-me de um livro de Primo Levi em que afirma que “a dor é inenarrável”, referindo-se ao horror do Holocausto. eu só soube do que aconteceu com o meu filho bem mais tarde. A testemunha presencial foi a sua mãe. Quero destacar dois aspectos: torturar crianças é uma prática nazista. Nesse item, há muitas outras hístórias a serem contadas. O outro aspecto é o da tortura como tal: não é crime político. É crime comum. Seus praticantes deveriam ser processados pelo Código Penal, como criminosos comuns.
    Aproveito o espaço para cumprimentá-lo mais uma vez pelo trabalho. E para enviar um abraço aos meus amigos e conterrâneos do RN, terra querida, de povo trabalhador, não conivente com a barbárie..

  9. Pedro Diz:

    Srs. Não sei como direito internacional aborda esta questão , visto que os carrascos nazistas… estão sendo presos e punidos ad eternum…não sei se crimes hediondos prescrevem..
    imagino que não..
    bom dia

    Pedro

  10. Willian Pinheiro Diz:

    François… concordo! a história não dá nome aos bois, estes são nominados pela conveniência daqueles que querem usar, abusar e tirar proveito de um momento histórico extremamente complicado para o Brasil. Nominar os verdugos é tarefa das mais dificeis, muitos variáveis devem ser analisadas… como também, se deve levar ao conhecimento do público presente, as quadrilhas que em nome da “liberdade” promoveram assassinatos, sequestros, assaltos e toda sorte de mazelas contra-revolucionárias…

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