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Por que discuti com Obama

Do site Diário do Centro do Mundo:

A jornalista e ativista Medea Benjamin é cofundadora do grupo pacifista Code Pink. No último dia 23 de maio, ela interrompeu o discurso de Obama sobre os drones e Guantánamo (você pode assistir no vídeo acima). Foi aplaudida. Depois acabou escoltada para fora do auditório pelos seguranças. Ela explica suas razões neste artigo, publicado originalmente no site Common Dreams.

Depois de trabalhar durante anos com questões como os drones e Guantánamo, eu fiquei deliciada de conseguir uma entrada (a fonte vai ficar anônima) para o discurso de Obama na National Defense University. Eu li muitos relatórios antecipando o que o presidente diria. Falou-se muito sobre grandes mudanças políticas que incluiriam transparência, novas diretrizes públicas para o uso de drones e, no caso de Guantánamo, o começo da transferência de presos inocentes para outros lugares e sua subsequente libertação.

Sentada nos fundos do auditório, eu ouvi com atenção cada palavra do presidente. Fiquei esperando um pronunciamento que representasse uma mudança significativa. Infelizmente, eu ouvi palavras bonitas, mas não a redefinição de políticas fracassadas.

Em vez de anunciar a transferência de ataques aéreos da CIA para o domínio exclusivo dos militares, Obama nem sequer mencionou a CIA e muito menos reconheceu a onda de assassinatos que a CIA vem realizando no Paquistão durante sua administração. Enquanto havia uma expectativa de que ele fosse declarar um fim aos ataques “com assinatura”, baseados apenas no comportamento suspeito e que têm sido responsáveis por muitas mortes de civis, ele não disse nada.

A maior parte do discurso do presidente foi dedicada a justificar ataques aéreos. Fiquei chocada quando o presidente afirmou que seu governo fez tudo o que podia para capturar suspeitos em vez de matá-los. Isso não é verdade. A dependência de Obama dos drones vem precisamente do fato de ele não querer se incomodar com a captura de suspeitos e levá-los a julgamento. Tomemos o caso do paquistanês de 16 anos Tariz Aziz, que poderia ter sido apanhado quando participava de uma conferência em um grande hotel da capital, Islamabad, mas foi morto por um ataque de drones com seu primo de 12 anos dois dias mais tarde. Ou o ataque de drones sobre o qual Yemini Farea al-Muslimi, 23 anos, falou quando testemunhou no Congresso. Ele disse que o homem alvejado em sua aldeia de Wessab era conhecido, reunia-se regularmente com representantes do governo e poderia facilmente ter sido levado para interrogatório.

Quando o presidente estava chegando ao final de seu discurso, ele começou a falar sobre Guantánamo. Como no passado, declarou seu desejo de fechar a prisão, mas culpou o Congresso. Foi quando eu me senti obrigada a falar. Com os homens em Guantánamo em greve de fome, brutalmente forçados a ingerir comida e desprovidos de toda a esperança, eu não podia deixar que o presidente continuasse a agir como se fosse algum funcionário desamparado à mercê do Congresso.

“Desculpe-me, senhor Presidente,” eu disse, “mas você é o comandante em chefe. Você poderia fechar Guantánamo amanhã e liberar os 86 presos que foram inocentados”. Seguiu-se uma discussão.

Embora eu tenha recebido uma avalanche de apoio, há outras pessoas, inclusive jornalistas, que me chamaram de “rude.” Mas aterrorizar vilarejos com mísseis Hellfire que fazem pessoas inocentes evaporar é rude. Violar a soberania de nações como o Paquistão é rude. Manter 86 prisioneiros em Guantánamo muito depois de eles terem sido liberados é rude. Empurrar tubos de alimentação goela abaixo dos prisioneiros em vez de fazer-lhes justiça é certamente rude.

Em um ponto de seu discurso, o presidente Obama disse que a morte de pessoas inocentes nos ataques com drones irá assombrá-lo enquanto ele viver. Mas ele ainda não está disposto a reconhecer essas mortes, pedir desculpas às famílias ou recompensá-las. No Afeganistão, os militares americanos têm uma política de compensação para as famílias de mortos ou feridos por engano. Nem sempre é feito, e muitas famílias se recusam a aceitar o dinheiro, mas pelo menos isso representa alguma responsabilidade por tirar a vida de pessoas inocentes. Por que o presidente não pode criar uma política semelhante quando ataques aéreos são utilizados em países com os quais não estamos em guerra?

Há muitas coisas que o presidente poderia e deveria ter dito, mas ele não o fez. Portanto, cabe a nós falar.

http://youtu.be/zKM14WQZL4k

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2 ideias sobre “Por que discuti com Obama

  1. UMA MATÉRIA DO FRACASSO DO GOVERNO QUE TANTO O POVO ACHAVA QUE DARIA CERTO.
    UM GOVERNO QUE SE ENTREGOU, TAMBÉM, AO IMPERIALISMO.
    UM GOVERNO NA UTI.
    O NOSSO GOVERNO.

    – O DE OBAMA JÁ MORREU!

    “O Banco Central (BC) não levou em conta o minguado crescimento do PIB revelado, no mesmo dia, pelo IBGE, e aumentou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual. Com isso, o país passou a ter a quarta maior taxa básica real – isto é, descontada a inflação – de juros do mundo (2,1%). A rigor, a terceira, pois a taxa de juros real chilena empatou com a do BC. Com exceção de dois países, todos os demais países do mundo têm juros básicos inferiores aos decretados na quarta-feira pelo BC.

    Esse aumento de juros acontece numa situação em que o crescimento da economia arrasta-se próxima do chão, ou seja, perto de zero. Com o resultado da variação do Produto Interno Bruto (PIB) anunciada pelo IBGE, a média de crescimento trimestral da economia no governo atual passou a ser 0,36% – mais de três vezes menor que a do segundo mandato do presidente Lula e mais de duas vezes menor que a dos seus oito anos (2003-2010).

    Apesar disso, o sr. Mantega achou espetacular – e o BC achou os 0,6% divulgados pelo IBGE tão tremendos, que aumentou os juros básicos em 0,5 ponto percentual.

    “Um forte crescimento dos investimentos é o que puxou o crescimento do PIB neste primeiro trimestre, o que significa um crescimento de qualidade na economia. Significa que os estímulos que temos dado têm surtido efeito. O investimento deixou para trás o consumo, que cresceu menos neste primeiro trimestre. Crescemos mais do que boa parte dos países” – disse Mantega.

    A única coisa notável nessa declaração é que, nela, nada é verdade – exceto, talvez, uma vírgula na penúltima frase.

    Não crescemos mais “do que boa parte dos países” – o sr. Mantega sabe que isso não é verdade, pois, pela sua atual bíblia, a IMF Survey Magazine, isto é, a revista do FMI, sabemos que a previsão de crescimento para o mundo em 2013 é +3,3%; para as “economias emergentes e em desenvolvimento”, o crescimento projetado é +5,3%; e, para os Brics, é, na média, +4,6% – e apenas porque o crescimento previsto para o Brasil está puxando essa média para baixo (cf. na revista o artigo de um funcionário do FMI, Thomas Helbling, intitulado “Policy Actions Improve Prospects for Global Economy”).

    O crescimento do Brasil no acumulado de quatro trimestres foi apenas 1,2% – e o próprio Mantega afirma que é preciso rever “e para baixo” sua própria previsão de crescimento para o país (3,5%).

    A formação bruta de capital fixo (FBCF), indicador dos investimentos, aumentou 4,6% em relação ao trimestre anterior. Mas isso quer dizer, apenas, que o gasto com máquinas, equipamentos e construções, em relação a uma base fixa (os preços de 1995, considerados = 100), aumentaram 4,6%.

    Nada mais além disso. Em valores correntes, o aumento da FBCF foi de apenas R$ 1,3 bilhão (de R$ 203,6 bilhões para R$ 204,9 bilhões – gastos baixíssimos para uma economia do tamanho da nossa, e, mais ridículo ainda, o aumento de R$ 1,3 bilhão entre um trimestre e outro).

    Mas o que interessa é a taxa de investimento (FBCF/PIB), ou seja, o investimento em termos da produção total da economia. A taxa de investimento passou de 18,7% do PIB no último trimestre de 2012 para 18,4% no primeiro trimestre de 2013. Portanto, a taxa de investimento do trimestre caiu em relação a do trimestre anterior (cf. IBGE, Contas Nacionais Trimestrais, Janeiro/Março 2013, p. 19).

    Mesmo em relação a um ano como 2011, em que o crescimento foi impenitentemente derrubado, a taxa atual é menor: a daquele ano foi 19,3%.

    Além disso, o próprio aumento de 4,6% reflete mais a compra de caminhões – houve um processo de troca no setor de transporte, devido à nova legislação – que de máquinas e equipamentos para a indústria. Logo, esse aumento não é sustentável, pois ninguém troca de caminhões a cada trimestre.

    Porém, o mais espantoso (ou o mais desavergonhado) é que Mantega – e seu atual escudeiro, Luciano Coutinho – estão tecendo odes para um resultado onde a indústria caiu em todas as comparações. Caiu -0,3% na comparação com o trimestre anterior, caiu -1,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior e caiu -1,2% no acumulado em quatro trimestres em relação aos quatro trimestres anteriores (aliás, nessa última comparação, também a FBCF caiu: -2,8%).

    Já entraremos na questão do consumo. Diz Mantega que a presidente Dilma ficou “muito satisfeita” com o resultado – em especial, do investimento. Nós não acreditamos. Temos um conceito muito mais alto da nossa presidente do que esse, a de vítima fácil da enrolação de um ministro que nem mesmo neste lastimável ofício é competente.

    O sr. Luciano Coutinho, atualmente presidente do BNDES, saudou o “excelente desempenho da formação bruta de capital fixo”. Como o sr. Coutinho não é um ignorante, a coisa aqui é grave. Tanto assim que ele fez um vaticínio muito científico: “devagarinho, as coisas vão melhorando”. Ele sabe que não é verdade. O problema é que elas estão piorando, e não é devagarinho. Nada poderia ser mais ilustrativo dessa piora do que o consumo.

    Segundo o IBGE, o consumo das famílias aumentou apenas 0,1% no primeiro trimestre do ano e o consumo do governo variou em 0 (zero).

    Entre 2004 e 2010, o consumo das famílias aumentou a uma média anual de 5,2%, o consumo do governo a uma média de 3,5% e a formação bruta de capital fixo, isto é, o investimento, a uma média de 9,2%.

    Diante desses números, desaba toda a falsificação – requentada há poucos dias pelo “Financial Times” – de que Lula teria implantado um modelo apenas baseado no consumo. Pelo contrário, o investimento cresceu mais que o consumo.

    Já em 2011 e 2012, o consumo das famílias aumentou à média de 3,6%; o consumo do governo cresceu a uma média de 2,5%; e o investimento, à média anual de 0,4%.

    Essa queda verdadeiramente estúpida do investimento – inclusive em termos do PIB, isto é, enquanto taxa de investimento – foi resultado do manietamento do investimento público desde janeiro de 2011, seguindo a incrível teoria (na verdade, um carbono neoliberal) de que era necessário diminuir o investimento e os gastos públicos para que crescesse o investimento privado. Naturalmente, o que ocorreu foi o estancamento do investimento privado – pois, como há muito é sabido, é o investimento público, na época atual, que abre espaço e impulsiona o investimento privado.

    Agora, depois de meses de conversa sobre um suposto esgotamento do consumo – num país em que parte da população não tem nem sapatos – como motor do crescimento, e a necessidade de basear o crescimento no investimento, conseguiu-se um prodígio: nem consumo, nem investimento.

    Segundo os próceres do governo, como o sr. Coutinho, o investimento e o crescimento virão das concessões ao capital estrangeiro – isto é, das privatizações, incluindo a do petróleo do pré-sal.

    Como se sabe, o que não faltou foi crescimento na época em que Fernando Henrique liquidou, na bacia das almas, as telecomunicações, a Vale do Rio Doce, boa parte do setor elétrico e o escambau. As cidades ficaram até mais iluminadas…”

    CARLOS LOPES – HORA DO POVO

  2. que decepção Obama.. de qualquer forma acho que menos falcão que MItt Rommney

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