« Voltar | Início » Notas » Que bonito é…

Que bonito é…

Novo Maracanã

O texto que se segue é sobre o novo Maracanã e seu autor é o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos cujo único defeito é torcer pelo Flamengo. Vale a leitura!

“Meu caro Mário Filho

Joaquim Ferreira dos Santos

Estive no estádio que leva o seu estimado nome, grande jornalista esportivo, e vou ser sincero: não o reconheci naquelas cadeiras azuis, brancas e amarelas. Querendo fazer graça, quando cheguei ao meu lugar, quase à beira do gramado, ali mesmo onde antes ficavam os geraldinos, fui em direção a uma mocinha de verde, que fazia as honras da casa e dava as informações. Perguntei: “É aqui mesmo o Maracanã, o estádio Mário Filho?”.

Longe de mim, prezado Mario, o saudosismo de lamentar que agora, sem a divisão entre geral e arquibancada, estes não poderão mais jogar saquinhos de xixi em cima dos primeiros, como era hábito notório.

Tem gente chorando saudades por todos os lados, dizendo que não sabe mais se aquele é o gol da Quinta da Boa Vista ou onde foi mesmo que o Rondinelli meteu aquele gol de cabeça contra o Vasco.

Longe de mim, a saudade de dizer que naqueles mármores do Lounge Vip não poderá passar uma nova charanga do Jaime, ou que a Dulce Rosalina, coitada, não teria roupa para ir num evento em cenário tão tranchã.

Eu fiquei inteiramente perdido nesta primeira visita, como se tivessem deletado todas as minhas referências particulares no estádio. Onde é mesmo que eu estava, na primeira vez que vim aqui, naquele esculacho que o Bangu deu no Flamengo, em 1966, quando o Almir Pernambucano, levando de três a zero, melou o jogo e saiu dando porrada nos rosadinhos de Moça Bonita.

Eu gostaria que o mundo continuasse preservando todos os meus cenários importantes, até mesmo os mais tristes, aquela arquibancada atrás do gol de onde eu, já comemorando o título, vi a dupla Washington e Assis roubando a taça no último momento do Fla-Flu.

Qualquer garoto carioca poderia traçar a história da sua vida a partir das idas e vindas ao Maracanã. A namorada que o acompanhava, o tio que o protegeu de uma briga de torcidas, a presença histórica naquele Brasil e Paraguai, 180 mil pessoas, o recorde de público no estádio.

Pois, meu caro Mario Filho, eu estive no novo Maracanã e devo lhe informar que não há mais qualquer sinal do estádio a que você deu nome. Imagino que a qualquer momento, sabedor que sou de sua dignidade e caráter, você vá mandar aí do sobrenatural uma mensagem liberando as autoridades a mudarem o nome do estádio. 

Dito isso, sabedor que mais uma página da nossa história se foi, e que isso é sempre sofrido, quero acrescentar que o novo estádio ficou sensacional. Bonito e funcional. Ficou meio embecado, e para quem vive numa das cidades mais sujas do mundo isso é sempre intimidador. Reclamam que não tem alma. Aquele espetáculo cafajeste das torcidas vai ter de mudar o estilo do folclore, mas elas encontrarão um novo jeito de fazer graça, desde que não me explodam mais morteiros nos tímpanos nem quebrem as cadeiras onde eu vou sentar amanhã. Chega de malandragem otária.

Vou ser sincero, meu bom Mario Filho, eu não ia ao Maracanã já há algum tempo porque estava cansado das brigas que explodiam por todos os lados, do mau cheiro dos banheiros e todos os demais itens da pauta da absoluta falta de conforto e desserviços que é o comum a esta cidade. Parece que vai mudar e o estádio não será mais só da Raça Fla, da Young Flu e outros nichos de pancadaria.

Por muito tempo ainda vamos chegar ali e lembrar das histórias incríveis do antigo cenário. Alguns nostálgicos vão achar tudo meio plastificado e com cara de uma arena internacional qualquer. Agüente-se o blablabla do “ai como era bom”. O Maracanã já era, descanse em paz, mas já não era sem tempo. A torcida agora, querido Mario Filho, é para que, com o gramado espetacular, os jogadores tomem vergonha na cara e comecem a jogar à altura”.

Share

3 ideias sobre “Que bonito é…

  1. Afinal, ele quis dizer o quê? – Chora a derrubado do museu, depois, se alegra com a nova estrutura civilizada, evoca o Mário para mandar o quê mesmo?

    Faça-se o seguinte: construam a arena da Roma antiga, tragam-se os gladiadores e façam espetáculos vis para esse tipo de saudosista e ponto final. Maracanã hoje é história e só.

    Eu conheço a deixa que diz: “O velho tem que ir-se, sair do meio, dá espaço para o novo desenvolver-se, criar, modificar, surgir com coisas novas e tudo que vier a ser mais esplendoroso” – Eu reconheço que meu espaço hoje é menor, sim, os novos estão chegando e, isso, para o desenvolvimento, é bom.

    Essa é minha opinião

  2. Nossa tem gente.. praguejando contra o novo Maracanã.. que não é brincadeira.. o Juca Kfouri.. que é do contra… esta´todo dia ele e sua troupe.. dizendo cobras e largatos contra o Maracanã.
    Assisti jogos.. no antigo Maracanã.. quantas vezes.. estava muito duro e ia para a geral.. que não era um lugar decente.. vc não tinha visão do jogo.. e saia com torcicolo..
    Acontece que o Juca é um tucano empedernido..e tudo que o Lula faz.. ele cai matando em cima..

    abs Pedrão

  3. É, dizem as linguas dos linguarudos, de mesa de bar, que intelectual gosta da saudade. Gostava daquele cimento quente, em pé, da geral do velho Maraca; eu, hem; mentirosos….
    Só li uns 500 livros e escolhi os bons, penso eu, sou do povo. Gosto do futuro; “….e chega de saudades….”
    Queremos o futuro!
    Seja bem vindo o novo Estádio do povo. O novo Maracanã.
    Agora é esperar o Arena das Dunas. rsssssssss

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *