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QUE TAL DIPLOMA PARA SENADOR

Em junho de 2009 o STF acabou com a exigência do diploma para jornalistas. A norma era incompatível com o princípio de liberdade de expressão.

Agora vem o Senado e aprova uma proposta de emenda constitucional tornando obrigatório o diploma de nível superior para o exercício da profissão.

Pergunta que não quer calar: como definir o jornalista? “Qualquer um que escreve em jornal”, dizia Paulo  Francis, opinião compartilhada por este escriba e por Andrew Marr, um ícone do jornalismo europeu no livro “My Trade”.

“Tirando o crime organizado, o jornalismo é a mais poderosa e agradável antiprofissão”, ironiza Marr, citado por Gianni Carta. Segue trecho:

Por Gianni Carta

Como definir o jornalista? “Qualquer um que fizer jornalismo”, responde o escocês Andrew Marr no seu livro My Trade (Pan Books, 2005, 300 págs).

Jornalista de mão cheia, ex-editor do diário The Independent e da Economist, Marr diz quem são as pessoas mais propensas a mergulhar no jornalismo: “bêbados, disléxicos e algumas das pessoas menos confiáveis e mais perversas da Terra”.

Mas há consolo no livro de Marr, consagrado à história do jornalismo britânico. “Tirando o crime organizado, o jornalismo é a mais poderosa e agradável antiprofissão”.

Marr, de 51 anos, causaria um grande alvoroço no Senado brasileiro. Por dois motivos. Primeiro, porque sua ironia seria levada a sério pela maioria dos senadores. Em segundo lugar, Marr formou-se em Letras.

E aí mora o problema.

Marr, iconoclastia à parte, não seria considerado um jornalista pelos senadores brasileiros pelo fato de não ter estudado jornalismo.

O Senado acaba de aprovar uma proposta de emenda constitucional para tornar obrigatório o diploma de nível superior para o exercício do jornalismo. Haverá outra votação no Senado. Se a emenda for aprovada será analisada pelos deputados.

Claro, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubará a medida (se aprovada pelos deputados). Em junho de 2009, vale recapitular, o STF acabou com a exigência do diploma para jornalistas. A norma era incompatível com o princípio de liberdade de expressão.

Mas o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), autor da proposta, não concorda com o STF. “Todas as profissões têm o seu diploma reconhecido, menos o diploma de jornalista, o que é uma incoerência, uma distorção na legislação brasileira”, declarou.

E senadores, precisam de diploma? Nenhum.

Basta ter nacionalidade brasileira e mais de 35 anos de idade. Na França qualquer deputado graduou-se no mínimo em ciências políticas. E isso fica claro nos discursos na Assembleia Nacional e no Senado. Lá fala-se em ideologia partidária, entre outros temas aqui ignorados.

E aqui aproveito para fazer uma sugestão: já que jornalistas precisam, segundo os senadores, de diploma, por que não aplicar a mesma proposta para os senadores brasileiros? Os debates, quiçá, se tornariam mais fecundos.

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3 ideias sobre “QUE TAL DIPLOMA PARA SENADOR

  1. Seria uma idéia GENIAL, só assim não estaríamos à mercê dos tiricas, dos romários, do homem do gritinho, ou melhor, TODOS SERIAM REPROVADOS NA PRIMEIRA FASE, ai sim, teríamos pensantes sérios legislando para a Nação com seriedade, quando ao mesmo tempo, seriam excluídos todos os envolvidos através de condões indesligáveis, atigindo todos e todas as instituições que se agregam sem escrúpulos à corrupção.

    É isso.

  2. Quem não dá valor aos conhecimentos simbolizados pelo diploma é quem não o tem.

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