Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

QUEM VAI FISCALIZAR OS GASTOS DA COPA DE 2014

A edição desta semana de “Carta Capital” que chega às bancas neste sábado traz uma matéria especial sobre a Copa de 2014 no Brasil.

A revista pergunta “quem vai fiscalizar os gastos da Copa de 2014 e controlar o poder da CBF?”

Confiram trechos:

“Você já viu os olhos de alguém emocionado? Brilham!” Assim o governador do Amazonas, Eduardo Braga, relata a reação da comitiva da Fifa ao passar por Manaus, uma das dezessete cidades que disputam as doze vagas para sediar jogos da Copa de 2014 no Brasil. Daqui a menos de um mês, precisamente em 20 de março, as escolhidas serão anunciadas em Zurique, na Suíça.

Somente a partir daí a organização do Mundial começará de verdade. É quando o governo federal anunciará as obras do PAC para atender à demanda por infraestrutura nas cidades que receberão o evento. É quando, também, os governos estaduais terão de provar estar preparados. Quando maquetes terão de se transformar em realidade. De preferência, sem grandes rombos nos cofres públicos.

Os Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro em 2007, continuam a ser um exemplo do que não se deve fazer. Orçado inicialmente em 414 milhões de reais, o Pan consumiu quase 4 bilhões de reais do Erário, sem que o legado tenha sido relevante.

Somente em infraestrutura, a Copa poderá custar mais de 100 bilhões de reais, estima a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), que fez um levantamento em todas as cidades candidatas, a pedido da CBF e do Ministério do Esporte.

Há pouco mais de um ano, um orçamento preliminar, preparado pelo agora diretor-financeiro do Comitê Organizador, Carlos Langoni, estimava em cerca de 4,8 bilhões de dólares (à época 8,3 bilhões de reais) as obras estruturais, e em 1,2 bilhão (2 bilhões de reais) os estádios. Não se fala mais desse orçamento preliminar. E não se fala, ainda, de um orçamento real.

Na África do Sul, anfitriã da Copa de 2010, inicialmente previa-se gastar 350 milhões de dólares para construir cinco novos estádios e reformar outros cinco. O orçamento pulou para 1 bilhão de dólares.

Greves e obras atrasadas causaram mal-estar. A Fifa descarta tirar a Copa de lá, embora o clima não seja dos melhores. Em janeiro deste ano, o parlamentar sul-africano Jimmy Mohlala, que havia denunciado um esquema de corrupção na construção de um dos estádios para a Copa 2010, foi assassinado na cidade de Mbombela.

Se não pretende ser uma África do Sul, o Brasil também não dá sinais de ser uma Alemanha, anfitriã da edição de 2006, considerada um sucesso de organização. A última Copa deu lucro de 135 milhões de euros, 40,8 milhões deles destinados somente à Fifa. Dos cerca de 2 bilhões de euros investidos nos estádios, apenas um terço foi financiado pelo poder público. O governo alemão investiu outros 3,5 bilhões de euros em infraestrutura urbana.

Que a Copa do Mundo de 2014 não repita os caminhos do Pan deveria ser não apenas um desejo, mas uma condição. Antes da confirmação da escolha do Brasil como sede da Copa de 2014, embora não houvesse concorrente na América e ainda existisse o rodízio de continentes, a CBF registrou em cartório, no Rio de Janeiro, a estrutura da então “Associação Brasil 2014”, embrião do presente Comitê Organizador da Copa.

A entidade foi concebida em um formato jurídico que veta a interferência do governo federal. Constituída como associação civil sem fins econômicos, conforme o estatuto, dá plenos poderes a seu diretor-presidente, Ricardo Teixeira, alijando o poder público de qualquer decisão.

Uma resposta para 'QUEM VAI FISCALIZAR OS GASTOS DA COPA DE 2014'

  1. Sérgio Luiz Bezerra Trindade Diz:

    Caro Aílton,
    Uma vez passeio pelo seu blog e constato algo; vc faz jornalismo independente. Por isso gostaria que vc divulgasse:
    Prezado jornalista Ailton Medeiros,
    Sou seu leitor diário. Li ontem (5a. feira) algumas notas na sua coluna sobre o carnaval e resolvi encaminhar algumas inmpressões minhas sobre o carnaval numa calma praia potiguar. Fui a Touros e fiquei abismado com a quantidade de carros (geralmente carrões) na praia, em velocidade, ameaçando a vida de banhistas, principalmente crianças. Mais abismado ainda fiquei quando fizemos a denúncia ao digníssimo comandante da polícia militar do Rio Grande do Norte e o mesmo não moveu uma palha para evitar o problema. E, para completar, um desembargador, ex-presidente do TJ-RN, Osvaldo Cruz, era uma dos insignes motoristas de carrões a beira-mar.
    O que fazer quando, o comandante da polícia, encarregado de reprimir um desaforo a lei, e um desembargador, ex-presidente da corte-mor de justiça do estado, magistrado encarregado de fazer cumprir a lei, e desrespeitam vergonhosamente?
    Fica o registro.

    Sérgio Luiz Bezerra Trindade

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