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Forró da Lua: Deu no “New York Time”

O Forró da Lua, idealizado por Marcos Lopes, às margens da Lagoa do Bonfim, foi notícia no jornal “New York Times”, em junho de 2006. Veja o texto, do jornalista Seth Kugel, traduzido por Ana Luíza Moreira Fernandes Braga.

“Mais ou menos a milha abaixo, numa rua e pedra do posto de gasolina Vitória, num rancho enluarado além de São Josée Mipibu, uma cidade de negligenciada importância no nordeste do Brasil,
três homens em brilhantes trajes de cowboy azul e prata, fazem música com um cordeon, um triângulo e uma zabumba. Eles estavam extremamente sozinhos.

Centenas de jovens de blue jeans, a maioria da próxima cidade de Natal, ebia cerveja, ria e conversava num lugar inspirado em um curral. Centenas e casais apinhavam-se na pista de dança sob um teto de sapê, coxas travadas para a performance de uma dança sensual que deve ter emergido somente da cultura cowboy brasileira. O grupo, Os 3 do Nordeste, tocava forró, música country brasileira nascida no sertão nordestino – seco, com cactus, e pecuária – e difundido amplamente em 1940 por Luiz Gonzaga, o cantor, compositor, e mestre de acordeon que se mudou para o Rio de janeiro e fez da música Asa Branca um hit internacional.

Desde então, entrou e saiu de moda, mas depois de um revival nos anos 90 se estabeleceu num meio de aceitação “hip-to-be-square-dancing ” (Na verdade, o Brasil celebra o seu dia nacional do forró em 13 de dezembro. Samba e bossa nova são a cara internacional da música brasileira, e o funk das favelas do Rio”, mas os clubes da moda não resistem a um forró no final da noite.

Depois de falar sobre o Nordeste e das figuras que encontrou em Pernambuco,ele recebeu a recomendação de ir a São José de Mipibu, para o Forró de Lua, que funciona uma vez ao mês, no sábado mais perto da lua cheia, que seria no dia seguinte. Na manhã seguinte, eu comecei o que eu supunha que seria uma viagem de quatro horas.

Com tempo suficiente para gastar (Forró de Lua dura das cinco da tarde até meia noite), eu dei uma volta não relacionada a forró em Olinda, a cidade colonial ao norte de Recife que é Patrimônio histórico mundial da Unesco. Mas nessa parte, isso mudou, forró não é tão fácil de se escapar. No bem servido restaurante Oficina do Sabor, o especial do dia era camarões no forró descrito como “camarão com manga e molho de maracujá perfumado com leite de coco.” O que aquilo tinha a ver com forró não era claro. Mas o mistério foi desvendado quando o prato chegou, pares de camarão juntos em volta do prato, uma perfeita cópia crustácea das coxas interlaçadas na pista de dança.

De lá estava na estrada em direção a Natal, a cidade depois de São José de Mipibu, e Forró da Lua. O festival começou em 2002 por Marcos Fernandes Lopes, um rico engenheiro agrônomo, agora com 47 anos, que decidiu construir um lugar de forró no seu rancho. Sr. Lopes está também planejando um museu cowboy lá para completar os eventos de forró.

Você pode dizer que o evento foi um sucesso só pelo estacionamento lotado, pela fogueira maciça perto da entrada. Sr. Lopes mais tarde me disse que o evento regularmente atrai 2 mil pessoas por mês sem propaganda formal. Em um canto, algumas pessoas assistem a um documentário sobre Luiz Gonzaga; outros
sentam em bancos de concreto, mesas de tijolo, bebendo cerveja e soda. Do lado externo das paredes, em volta, casais se beijam sob lampeões a gás. A noite segue, a fila da cerveja diminui e a fila do churrasco cresce. Mas a pista de dança, continua animada por uma banda de forró bem conhecida, Os 3 do Nordeste e Waldonys, a atração principal.

Os melhores dançarinos estão colados pelas coxas, movendo-se em tanta sintonia que parecem marionetes controlados por cordas. Um pequeno grupo fica em volta do jovem casal, de nome Giunelly e Luciana, que parece como se treinassem juntos a anos. Eu dei alguns passos com Claudia, mais uma mulher brasileira louca o bastante para dançar com um visitante americano. Dançamos algumas músicas, e então ela me deu minha nota. Eu dei os passos, ela disse, mas meus quadris não estavam sentindo a zabumba. Eu já fui chamado de coisa pior.”

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