Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

SEGURANÇA QUE VIU CARRO DE AGACIEL MAIA É AMEAÇADO

Olha que pérola o jornal “Correio Brasiliense” publicou nesta terça-feira. A reportagem de Leandro Colon e Marcelo Rocha diz que Marinalvo Gomes, que presenciou a entrada de um assessor no gabinete de Agaciel Maia durante a madrugada, corre risco de morte.
O título é “Segurança ameaçado”. Confiram:

Ação policial, ocultação de provas e ameaça de morte. Ingredientes de um filme de suspense, se não fossem dentro do próprio Senado Federal. Um depoimento até hoje mantido sob sigilo reforça a suspeita de que o comando da Casa escondeu provas da Operação Mão-de-Obra, feita pela Polícia Federal em 26 de julho de 2006 para desmontar uma quadrilha que fraudava licitações com a ajuda de servidores públicos.

O alarme da sala do diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, chegou a disparar na madrugada de 24 de julho daquele ano, quando um segurança chamado Valdeck, que seria assessor dele, subiu ao local. A informação faz parte dos depoimentos dados pelo segurança Marinalvo Gomes Araújo ao Ministério Público Federal e à Polícia Legislativa do Senado. O Correio teve acesso à íntegra de todos esses relatos, dados dois meses após a ação da PF.

Fora da rotina
Marinalvo testemunhou um movimento fora do normal na semana em que ocorreu a ação policial. A versão dele aponta que a direção do Senado soube bem antes do dia 26 que a PF agiria na Casa, e não apenas na noite anterior, quando o então presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) foi avisado oficialmente pela polícia.

Em seus depoimentos, Marinalvo avisou que foi ameaçado de morte num telefonema após o ocorrido. Do outro lado da linha, uma pessoa disse: “Você sabe que agora é queima de arquivo?”. Por dois anos, o Senado escondeu a história e o próprio Marinalvo, deslocado para serviços de menor visibilidade.

Em 28 de julho, quando a PF já havia deixado a Casa, o segurança testemunhou ainda o diretor de compras, Dimitrios Hadjinicolaou, o segurança Valdeck e mais uma pessoa enchendo uma Blazer branca de documentos que foram retirados do Anexo I, onde ficam a direção-geral e o departamento de licitação. Segundo Marinalvo, eles estavam “preocupados e olhando para os lados”. O carro que serviu de depósito era o veículo oficial usado por Agaciel, de acordo com o depoimento.

De acordo com Marinalvo Araújo, o diretor-geral Agaciel Maia chegou às 6h30 para trabalhar em 25 de julho de 2006, um dia antes da Operação Mão-de-Obra, que tinha como objetivo vasculhar a sala dele. “O depoente percebeu que o diretor Agaciel estava nervoso”, diz o documento. “O depoente pôde afirmar que nunca presenciou o diretor Agaciel Maia tão cedo no Senado Federal”, ressalta.

O Correio teve acesso não só ao depoimento de Marinalvo, como também ao que foi dito por outros policiais do Senado. Dois colegas do segurança, José Milton de Moraes Neto e Rauf de Andrade Mendonça, respaldaram a seriedade de Marinalvo e informaram que o segurança Valdeck era assessor de Agaciel.

Todos esses seguranças participaram de uma reunião às 17h de 14 de setembro na sala do diretor da polícia, Pedro Araújo, subordinado a Agaciel. Esse encontro foi tenso, segundo os depoimentos. Araújo perguntou a Marinalvo o que ele havia visto naquela semana de julho. E o segurança confirmou a versão de que presenciou Valdeck entrar na sala de Agaciel. Foi quando o próprio Valdeck apareceu na sala de Araújo e contestou a afirmação de Marinalvo. Houve um princípio de bate-boca.

Repousam na gaveta de Araújo dois depoimentos dados por Marinalvo à Polícia do Senado. Até a ameaça de morte foi informada pelo funcionário ao seus superiores. Ou seja, o comando do Senado sempre soube do ocorrido. Em resposta enviada ontem à reportagem, a diretoria-geral diz que não houve “nenhum registro de ingresso de qualquer servidor do Senado ao terceiro andar” na madrugada em que o segurança diz ter presenciado a chegada de Valdeck e o disparo do alarme. O Correio procurou Marinalvo. Ele afirmou que o que teria para contar já foi dito em seus depoimentos. (LC e MR)

8 respostas para 'SEGURANÇA QUE VIU CARRO DE AGACIEL MAIA É AMEAÇADO'

  1. JAIME Diz:

    O Senado federal é monitorado dia e noite por câmeras de segurança e a PF tem acesso a todas as gravações. Seu alvo é João Maia todo mundo ja sabe…

  2. Rodrigues Diz:

    Não adianta nada quererem acrescentar ao “RENAGATE” qualquer outra coisa, ou prova, ou depoimento, ou qualquer outra babozeira!

    Já provaram do que são capazes (a gang do senado), o livraram, então?

    100% de nada é nada ou, qualquer percentual de tudo eles transforma em NADA!

    AI EU FAÇA COMO O MESQUITA DA BLITZ (O CONJUNTO) NADA! NADA! NADA!

    Fui!

  3. Rodrigues Diz:

    Evandro Mesquita da Blitz.

    Fui!

  4. Jean Diz:

    26/08/2008
    MPF: Dantas foi solto com despacho incompleto

    A procuradora-regional da República Janice Ascari chama a atenção para um fato registrado no parecer em que o subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves pede a volta de Daniel Dantas à prisão: a decisão de soltar o banqueiro foi tomada com base em pedido que não juntava o despacho completo do juiz federal Fausto Martin De Sanctis.
    Afirma a procuradora Ascari ao Blog:
    “Tive a oportunidade de ler a íntegra da arrasadora e bem fundamentada manifestação do Ministério Público Federal, pelo subprocurador-geral Wagner Gonçalves. Além de atropelar as demais instâncias, de decidir ‘per saltum’ etc., é estarrecedor saber que Sua Excelência o presidente do STF liberou o preso sem levar em conta o fato de que faltavam as quatro últimas páginas da decisão que estava sendo reformada –justamente as páginas finais da decisão que mandava Daniel Dantas à cadeia”.
    Afirma o parecer de Gonçalves ao STF:
    “Vale ressaltar aqui um fato curioso: os advogados dos impetrantes, no afã de obterem, rapidamente, a cassação da preventiva, ao fazerem o pedido (petição de fls. 819/830), juntaram o despacho do r. Juiz singular, que decretou a preventiva, de forma incompleta (fls. 834/848), ou seja, faltando as quatro (4) últimas folhas”.
    No parecer que será apreciado pela 2a. Turma do STF, o subprocurador-geral transcreve a cópia do inteiro teor do despacho do juiz de primeiro grau, incluindo as quatro folhas faltantes que também fundamentam a prisão preventiva.
    “Não se trata de abstrações, fatos vagos, mas dados concretos, elementos novos, que justificavam, como justificam, a prisão de Daniel Dantas, data venia”, afirma Wagner Gonçalves.
    A 2a. Turma é formada pelos ministros Celso de Mello (presidente), Ellen Gracie, Cezar Peluso, Joaquim Barbosa e Eros Grau (relator).

    http://blogdofred.folha.blog.uol.com.br/

  5. Jean Diz:

    Caso Dantas: Gilmar tinha despacho completo do juiz

    Ao contrário do sugerido pelo Ministério Público Federal, decisão do ministro confirma que Mendes recebeu versão integral

    Ao decidir pela soltura do banqueiro Daniel Dantas pela segunda vez, o ministro Gilmar Mendes tinha em mãos o despacho completo em que o juiz Fausto Martin De Sanctis decretara a prisão preventiva do banqueiro.

    Na página 856 do Habeas Corpus 95.009, o presidente do Supremo faz menção aos argumentos do juiz De Sanctis que estavam no último parágrafo de seu despacho. Ou seja, essa constatação elimina a hipótese –sugerida a partir do parecer do subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves–, de que Dantas tenha sido beneficiado por revogação da prisão preventiva sem que o ministro Gilmar Mendes tivesse todas as informações sobre a decisão do juiz.

    Consultado pelo Blog, o subprocurador-geral Gonçalves admitiu que, “apesar de as últimas quatro folhas não constarem dos autos, os advogados devem ter juntado a peça completa por meio eletrônico”.

    No parecer, conforme registrou o Blog, Gonçalves afirma: “Vale ressaltar aqui um fato curioso: os advogados dos impetrantes, no afã de obterem, rapidamente, a cassação da preventiva, ao fazerem o pedido (petição de fls. 819/830), juntaram o despacho do r. Juiz singular, que decretou a preventiva, de forma incompleta (fls. 834/848), ou seja, faltando as quatro (4) últimas folhas”.

    Gonçalves afirmou ao Blog que sua intenção foi evidenciar a “pressa” com que os advogados atuaram para obter a soltura de Dantas, e não sugerir eventual decisão do ministro sem os elementos necessários para formar sua convicção.

    No parecer, o subprocurador-geral reproduz parágrafo em que o juiz De Sanctis, a título de reforçar os motivos da decretação de prisão, afirma: “Não é possível olvidar que o requerido [Dantas] detém significativo poder econômico e possui contatos com o exterior, ampliando a possibilidade de evasão do território nacional, bem ainda porque poderia ocultar vestígios criminosos que ainda se esperam poder apurar”.

    Em sua decisão –na página 856–, Gilmar Mendes transcreve essas alegações do juiz e afirma que “tais argumentos revelam-se especulativos, expondo simples convicção íntima do magistrado, o qual externa sua crença na possibilidade de fuga do investigado em razão de sua condição econômica e pelo fato de ter contatos no exterior, sem apontar um único fato que, concretamente, demonstrasse a real tomada de providências do investigado visando à evasão”.

    Ouvido pelo Blog, o advogado de Dantas, Nélio Machado, disse que os advogados Alberto Pavie e Pedro Gordilho, que atuaram junto ao STF, haviam entregue dois jogos completos do despacho de De Sanctis. Um ficou no protocolo e outro foi entregue a um assessor de Mendes.

    “Eu desconheço se houve algum extravio de páginas. Mas se havia alguma coisa irregular, era possível detectar a tempo. A tradição do STF é de que as pessoas que são primárias se defendem em liberdade”, disse Machado.

    Ainda segundo Machado, “o Ministério Público Federal tem verdadeira obsessão em prender Daniel Dantas. O MPF tem que começar a se comportar. Não aceito lição de moral, pois advogo há 34 anos no Supremo”, concluiu.

    Escrito por Fred às 19h45

    http://blogdofred.folha.blog.uol.com.br/

  6. tomaz sarto pires de albuquerque Diz:

    identificado o jaime é calado o famoso laranja que transformar S. G em seu feudo

  7. FRED Diz:

    e fica uma pergunta no ar. por que o presidente do senado federal o senador Garibaldi Alves, ainda não tomou nenhum posição neste caso? e o senador Agripino não fala nada?

  8. Joao Taba Diz:

    Qualquer um que salve Sao Gonçalo daquela mafia que está lá hoje, seja calado ou falante, é benção para aquele povo.

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