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Deu no Clarin: Médicos argentinos querem participar do Mais Médicos

A notícia é destaque no jornal “O Clarin” desta sexta-feira: triplicou as consultas dos médicos argentinos que querem participar do Mais Médicos. Enquanto isso em Pindorama, médicos brasileiros boicotam o programa. Segue abaixo a matéria na íntegra:

Médicos que quieren irse a Brasil triplicaron ayer las consultas en el Consulado

POR MÁRCIO RESENDE

Fue tras la nota de Clarín, que reveló una situación que preocupa.

06/09/13

Aunque el primer periodo de inscripción al programa “Más médicos” terminó el 30 de agosto, el Consulado brasileño en Buenos Aires registró ayer un fuerte aumento de consultas de argentinos interesados en participar en una próxima convocatoria. Fue después de la nota que publicó ayer Clarín, que dio cuenta de que médicos de Argentina se están yendo al país limítrofe por un mejor sueldo, lo que puede provocar vacíos de atención sobre todo en las ciudades fronterizas.

“Ayer hubo una catarata de consultas. Se triplicó el número de mails, llamados y de público que se acercó personalmente para pedir información sobre el plan”, dijo a este diario Giuliana Sampaio Ciccu, responsable en el Consulado del programa “Más médicos”. Sólo en las primeras horas de la mañana ya habían recibido más de 20 consultas. “Creemos que ese número irá en aumento a partir de ahora”, agregó.

El interés de los nuevos candidatos pasa por las condiciones de trabajo en Brasil: con 4.200 dólares por mes, más casa y comida, duplica el sueldo promedio local con la mitad de la carga horaria.

Hasta ahora, el programa se divulgaba de boca en boca. Aún así, durante los últimos días de agosto el Consulado se vio desbordado. Pese a que el horario de atención es hasta las 15, fue necesario atender a los médicos durante los fines de semana y durante el feriado del 19 de agosto. Y los días de semana, hubo médicos “de campamento” hasta las 21. Ahora se espera un aluvión para la nueva convocatoria, a partir del 13 de septiembre.

La intención del gobierno de Brasil, según anunció oficialmente, es hacer convocatorias mensuales a profesionales para llenar las vacantes que no pueden ocupar con profesionales de su país.

Hasta ahora, 4.025 municipalidades solicitaron 15.460 médicos. Los cupos fueron llenados apenas por 1.096 brasileños, otros 99 brasileños que obtuvieron su diploma en el exterior, y 145 extranjeros. Además, llegaron al país 400 de los 4.000 cubanos que arribarán hasta diciembre.

Si bien los brasileños tienen prioridad para ingresar al programa, el número de deserciones internas no cesa. Mientras los extranjeros están en período de instrucción hasta el 16 de septiembre, los brasileños comenzaron a presentarse en sus locales de trabajo el lunes pasado. Las inasistencias se registraron en todo el país. En Río de Janeiro, por ejemplo, apenas 3 de los 17 médicos brasileños comenzaron a trabajar. En Fortaleza, de los 26 seleccionados, 11 ya desistieron. Los espanta ver la infraestructura de los lugares de trabajo o la inseguridad de la zona donde están los hospitales, y la vulnerabilidad de los puestos de salud en áreas violentas. Así y todo, los colegios de médicos locales se oponen a que lleguen profesionales extranjeros a ocupar esas vacantes.

El miércoles, después de discutir sobre el programa impulsado por la presidenta Dilma Rousseff durante más de cinco horas en el Congreso, el ministro de Salud, Alexandre Padilha, avisó desafiante: “Vamos a buscar médicos hasta en China”.

Para el ministro, el poco interés de los médicos brasileños en esta etapa del programa refuerza la necesidad de buscar profesionales en el exterior. Hasta ahora, Argentina fue el país que más médicos envió. Fueron 73, de los cuales 29 son argentinos, 7 bolivianos y 37 brasileños que vivían aquí.

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Governadora do RN é condenada novamente por improbidade administrativa

Rosa

A governador potiguar Rosalba Ciarlini foi condenada novamente por improbidade administrativa. É o que informa a UOL. Pergunta que não quer calar: o senador Agripino Maia, líder do DEM, e seu aliado, não vai fazer nenhum pronunciamento em Brasília? Vamos aguardar, não é mesmo?

Da Uol:

A governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), foi condenada mais uma vez por improbidade administrativa pelo período que esteve como prefeita de Mossoró (2001-2004), segunda cidade mais importante do Estado e distante 285 km da capital. Desta vez, o motivo foi a autorização do uso da máquina pública para executar obras de melhoria num parque de vaquejada particular no município de Baraúna.

Na primeira ação de improbidade, também em 2013, Rosalba foi condenada por autopromoção em propaganda institucional. Segundo informações do Ministério Público Estadual (MPE), responsável por mover a Ação Cívil Pública, também foram condenados o ex-gerente de Infraestrutura, Yuri Tasso Duarte Queiroz Pinto e o proprietário do parque. A sentença foi do juiz Airton Pinheiro, por intermédio da 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mossoró,que tramitou junto à Vara da Fazenda Pública.

Ainda de acordo com o MPE, a ex-prefeita de Mossoró e atual chefe do Executivo potiguar e seu ex-assessor foram condenados “por autorizar diretamente o uso de caminhões caçamba, tratores, perfuratriz, combustível e mão-de-obra da Prefeitura de Mossoró para a execução do serviço no referido parque”. Já o proprietário, por ter obtido “benefício direto decorrente de uma prática ilegal”.

Rosalba Ciarlini terá que ressarcir integralmente os danos causados ao erário de Mossoró, bem como pagar multa equivalente a duas vezes o valor do prejuízo. O ex-gerente executivo, Yuri Tasso, e o proprietário do parque também foram condenados ao ressarcimento dos valores.

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Ruas de fogo

Protestos em Natal

O professor Homero de Oliveira Costa é um dos mais aplicados estudiosos dos partidos políticos brasileiros e do comportamento eleitoral. Neste artigo, ele analisa as manifestações estudantis de junho e a crise de representação política no Brasil. Vale a pena degustá-lo. Segue abaixo:

Homero de Oliveira Costa

O mês de junho de 2013 deve passar para a história do país como o mês em que ocorreram as mais importantes manifestações de ruas desde o impeachment de Fernando Collor em 1992. O início das manifestações, como todos sabem, foram protestos em várias cidades contra o aumento do preço das passagens dos transportes urbanos. No entanto, à proporção que as manifestações foram ocorrendo, o espectro se ampliou.

Não se tratava apenas do aumento do preço das passagens e, sim, expressão de insatisfações muito mais amplas, como os gastos excessivos para a realização da Copa do Mundo, contra os péssimos serviços de transportes urbanos, na saúde, educação, contra a corrupção e impunidade etc. foram portanto, insatisfações difusas e generalizadas. O aumento do preço das passagens serviu apenas como o estopim, a “gota d’água”.

Muito já se disse e se escreveu sobre as manifestações. Muitas certezas e respostas e poucas dúvidas e perguntas. E nem um mês depois do início das manifestações, até um livro já foi publicado (“O choque de democracia: as razões da revolta”, de Marcos Nobre, professor de filosofia da Unicamp).

Um das poucas certezas que tenho em relação a esse processo é a de que vivenciamos uma crise de legitimidade das instituições e um profundo mal-estar com a democracia no país. O problema central, portanto, me parece ser o da falta de legitimidade das instituições de representação. Há um esgotamento e uma descrença nelas que não é específica do Brasil, mas das democracias representativas de uma maneira geral e especialmente em relação aos partidos políticos.

Existe assim uma crise da própria democracia representativa. Essencialmente, os cidadãos não se sentem representados nem pelos partidos e muito menos pelos governos. Uma crise da representação política, visível na descrença e desqualificação do parlamento, dos partidos e dos políticos, especialmente entre os jovens. Pesquisa do Instituto Data Popular publicada no dia 21/6/2013, com 1.502 pessoas entre 18 e 30 anos, em 100 cidades do país, revelou que 75% não confiam nos políticos, nem nos partidos (e 59% também não confiam na justiça).

Essa descrença explica, em grande parte, a ausência de partidos nas manifestações o que ocorreu também nas manifestações na Europa e na chamada “Primavera Árabe e revela que o problema não é específico do Brasil, como afirmou o sociólogo espanhol Manuel Castells, estudioso dessas manifestações em várias partes do mundo e autor do livro “Indignação e Esperança – Movimentos Sociais na Era da Internet”(Zahar Editora), uma das características desses movimentos é a rejeição aos partidos, “há um desprezo geral aos partidos políticos”.

Se por um lado, é compreensível em função da (baixa) qualidade dos partidos existentes, isso pode se constituir num perigo para a própria democracia. Uma coisa é a falta de legitimidade dos partidos como instituições democráticas, outra é a defesa de sua extinção. Não é possível prescindir do exercício da política via partidos. Nesse sentido, é preciso estar atento para os resultados de pesquisas como a de Instituto Latino-Barômetro na América Latina . Continuar lendo

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O que Diogo Mainardi tem a ver com o vândalo Pierre Ramon

Pierre Ramon Alves de Oliveira que apareceu na televisão depredando a prefeitura de São Paulo, no protesto de terça-feira, é estudante de arquitetura de uma universidade privada e filho de um empresário da área de transportes.

Após confessar ter participado da depredação, Ramon decidiu pedir desculpas. A polícia havia solicitado sua prisão temporária por formação de quadrilha, mas o juiz negou o pedido.

Ramon é a versão atual de Diogo Mainardi. Eu explico. Em 1979, Mainardi aderiu as manifestações promovidas pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo depredando e saqueando uma loja no centro da capital paulista.

Mainardi foi colunista de Veja. Se depender da revista da Abril, o futuro de Ramon está garantido!

Diogo Mainardi

 

Protestos em SP

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Gilmar Mendes transformou o STF num grande puteiro pois assim se ganha mais dinheiro

gilmar

Para o decano colunista da Folha, Jânio de Freitas, a crise entre o Congresso e o STF tem nome e RG. Trata-se do ministro Gilmar Mendes.

“A pedido do PSB presidido pelo pré-candidato Eduardo Campos, Gilmar Mendes concedeu medida limitar que sustou a tramitação do projeto no Congresso, até que o plenário do STF dê a sua decisão a respeito. Se as Casas do Congresso votassem, em urgência urgentíssima, medida interrompendo o andamento de um processo no Supremo Tribunal federal, não seria interferência indevida? Violação do preceito constitucional de independência dos Poderes entre si? Transgressão ao Estado de Direito, ao regime democrático? E quando o Supremo faz a interferência, o que é?”, indaga Freitas.

O o destaque em negrito é de inteira responsabilidade do titular deste blogue. Segue o texto na íntegra:

A “crise” entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso não está longe de um espetáculo de circo, daqueles movidos pelos tombos patéticos e tapas barulhentos encenados por Piolim e Carequinha. É nesse reino que está a “crise”, na qual quase nada é verdadeiro, embora tudo produza um efeito enorme na grande arquibancada chamada país.

Não é verdade, como está propalado, que o Congresso, e nem mesmo uma qualquer de suas comissões, haja aprovado projeto que submete decisões do Supremo ao Legislativo. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nem sequer discutiu o teor do projeto que propõe a apreciação de determinadas decisões do STF pelo Congresso. A CCJ apenas examinou, como é de sua função, a chamada admissibilidade do projeto, ou seja, se é admissível que seja discutido em comissões e eventualmente levado a plenário. A CCJ considerou que sim. E nenhum outro passo o projeto deu.

Daí a dizer dos parlamentares que “eles rasgaram a Constituição”, como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, vai uma distância só equiparável à sua afirmação de que o Brasil estava sob “estado policial”, quando, no governo Lula, o mesmo ministro denunciou a existência de gravação do seu telefone, jamais exibida ou comprovada pelo próprio ou pela investigação policial.

De autoria do deputado do PT piauiense Nazareno Fonteles, o projeto, de fato polêmico, não propõe que as decisões do STF sejam submetidas ao Congresso, como está propalado. Isso só aconteceria, é o que propõe, se uma emenda constitucional aprovada no Congresso fosse declarada inconstitucional no STF. Se ao menos 60% dos parlamentares rejeitassem a opinião do STF, a discordância seria submetida à consulta popular. A deliberação do STF prevaleceria, mesmo sem consulta, caso o Congresso não a apreciasse em 90 dias.

Um complemento do projeto propõe que as “súmulas vinculantes” – decisões a serem repetidas por todos os juízes, sejam quais forem os fundamentos que tenham ocasionalmente para sentenciar de outro modo – só poderiam ser impostas com votos de nove dos onze ministros do STF (hoje basta a maioria simples). Em seguida a súmula, que equivale a lei embora não o seja, iria à apreciação do Congresso, para ajustar, ou não, sua natureza.

O projeto propalado como obstáculo à criação de novos partidos, aprovado na Câmara, não é obstáculo. Não impede a criação de partido algum. Propõe, isso sim, que a divisão do dinheiro do Fundo Partidário siga a proporção das bancadas constituídas pela vontade do eleitorado, e não pelas mudanças posteriores de parlamentares, dos partidos que os elegeram para os de novas e raramente legítimas conveniências. Assim também para a divisão do horário eleitoral pago com dinheiro público. Continuar lendo

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Ministro diz que não há dinheiro para custear desaposentadoria

  • CRISTIANE JUNGBLUT E MARCELLE RIBEIRO
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Ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves<br />
Foto: Givaldo Barbosa/25-8-2011
Ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves

BRASÍLIA e SÃO PAULO — O ministro da Previdência, Garibaldi Alves, disse nesta quinta-feira que foi surpreendido com a aprovação do projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) permitindo a chamada “desaposentadoria” do trabalhador e alertou que a Previdência não tem condições de arcar com novas despesas, seja um impacto de R$ 70 bilhões ou de R$ 7 bilhões. Ele afirmou que o governo está preocupado com a questão em duas frentes: no Congresso e, principalmente, no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode tomar uma decisão mais ampla ainda do que a prevista no projeto de Paim

O ministro pediu um estudo específico sobre a proposta de Paim, que seria um pouco menos onerosa do que o impacto previsto no caso do Supremo, que é de R$ 70 bilhões. Como ex-presidente do Senado, Garibaldi disse que não foi avisado da votação e brincou que “aquele que vira ministro da Previdência sabe que o senador Paim é mui amigo”.

— Não há possibilidade de se pagar. Nem R$ 70 bilhões, nem R$ 7 bilhões. A situação da Previdência já é uma situação preocupante. O governo não pode arcar. Na verdade, esse impacto de R$ 70 bilhões nasceu de um estudo sobre a repercussão da decisão que poderá ser tomada pelo STF sobre a “desaposentação” — disse o ministro ao GLOBO, referindo-se a ações de trabalhadores já atendidas pelo Supremo. — Já estávamos muito preocupados com a decisão do Supremo e fomos surpreendidos agora com a decisão do Senado. Há uma diferença entre as duas propostas, no sentido de que a tendência do Supremo é mais liberal, levaria em conta todo o período para o cálculo da aposentadoria. Já a proposta do Paim prevê uma renúncia (abrir mão da primeira aposentadoria para pedir o recálculo) e isso pode trazer um novo cálculo do impacto.

Em São Paulo, o vice-presidente Michel Temer disse que, na semana que vem, o governo estudará a possibilidade de orientar parlamentares da base a entrar com recurso para que o projeto de Paim seja votado no plenário do Senado, antes de ir para a Câmara dos Deputados. O projeto foi aprovado em caráter terminativo na Comissão de Assuntos Sociais, e só irá a plenário se apresentado recurso nesses sentido.

— Vamos examinar para ver qual é a repercussão. Eu mesmo vou falar com o ministro Garibaldi para verificar qual é a repercussão negativa. Aí é que o governo vai trabalhar numa ou outra direção. Se for extremamente oneroso para a Previdência Social, é muito provável que se trabalhe nessa direção (orientar a base para entrar com recurso). Mas ainda não tenho nenhuma palavra definitiva sobre isso.

Temer previu “gastos extraordinários” para o setor:

— As informações que tenho é que isso (o projeto de desaposentadoria ) teria um custo extraordinário para os cofres públicos. Não tenho ainda os números.

Déficit de R$ 46 bi este ano

Garibaldi frisou que, se o governo pudesse, já pagaria benefícios melhores. Lembrou que a Previdência já precisa recorrer ao Tesouro para fechar suas contas — o déficit este ano deve ficar em R$ 46 bilhões.

— A verdade é que a Previdência não tem essas condições de pagar e não pode recorrer ainda mais ao Tesouro — disse o ministro.

Garibaldi alertou ainda que a medida, se virar lei, poderá causar problemas operacionais para a Previdência. Isso porque estima-se que até 700 mil aposentados que voltaram a trabalhar poderão requerer o recálculo, ao mesmo tempo.

Os operadores políticos do governo ainda avaliam qual a melhor estratégia a ser adotada pelos líderes governistas no Congresso: entrar com recurso para que o projeto de Paim seja apreciado pelo plenário da Casa ou deixar o projeto ir para a Câmara, onde se juntaria a outros 12 propostas de autoria de Paim relativos à Previdência e já foram aprovados pelo Senado. Esses 12 projetos, o primeiro de 1988, vêm sendo barrados pelo governo. Os dois últimos, de 2012, tratam de impor valores para auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez.

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O papa é argentino, mas Dom Paulo é brasileiro

Paulo Evaristo Arns

Este blogue reproduz artigo de Mino Carta em que o jornalista compara a atuação da Igreja Católica no Brasil e na Argentina durante suas ditaduras. O placar, favorável aos religiosos brasileiros, deve ser creditado a figuras como Paulo Evaristo Arns, Aloisio Lorscheider, Helder Câmara, Ivo Lorscheiter, Pedro Casaldáliga, lembra Mino.

Segue na íntegra:

A rivalidade notória entre Brasil e Argentina não me emociona, embora avalie em toda a sua imponência o dissabor (digamos assim) dos torcedores nativos ao constatarem que, no confronto com a Seleção argentina, esta tem uma vitória a mais. Comparações me parecem descabidas em quaisquer outros gramados: trata-se de países profundamente diferentes, por história, formação, cultura, tradições, condições geográficas e econômicas. Não escapo a uma, contudo, a respeito do comportamento da Igreja Católica dos dois países durante suas ditaduras.

A igreja de Paulo Evaristo Arns, Aloisio Lorscheider, Helder Câmara, Ivo Lorscheiter, Pedro Casaldáliga, e de outros, foi de clara e desabrida contestação ao nosso exército de ocupação a serviço da casa-grande e de Tio Sam. A igreja de padre Bergoglio foi conivente. Papa Francisco era então um jovem prelado, mas cometeu seus pecados, como se lê nesta edição no texto assinado por Eric Nepomuceno, grande conhecedor das histórias da América Latina, e da Argentina, especificamente.

Faz pouco tempo, em duas entrevistas, o ditador Videla, velho, arrogante e condenado, manifestou seu agradecimento ao apoio recebido da igreja do seu país. Era o tempo em que o Núncio Apostólico, Pio Laghi, se opunha ao almirante Massera, da trinca golpista, integrada também pelo próprio Videla e pelo brigadeiro Agosti, nas quadras de tênis do clube mais elegante de Buenos Aires. No mais, endosso total.

No Brasil, até Eugênio Salles, conservador convicto que privava da intimidade de Antonio Carlos Magalhães, protegeu perseguidos políticos. Notável, entre as figuras de batina encarnada daquele tempo, dom Paulo Evaristo. Destemido, firme, determinado. Costumava visitá-lo no seu sobrado modesto do Sumaré e o encontro era sempre de muito alento para mim, tocado por sua fala pacata, fiel à verdade dos fatos, mas capaz de inflexões esperançosas.

De fato, imaginávamos um país bem diferente do Brasil pós-ditadura, entregue a uma pretensa redemocratização até hoje bastante discutível. Recordo o cardeal arcebispo de São Paulo, que oficiou o culto ecumênico na Sé, no sétimo dia da morte de Vlado Herzog, e me chamou à sacristia para me apresentar a Helder Câmara, lá estava ele à espera da função, ao lado do rabino Sobel e do pastor Wright, os outros dois oficiantes.

O desafio à ditadura é fato indelével, envolveu milhares de pessoas dispostas a alcançar a catedral, apesar da tentativa da Polícia Militar de estrangular o trânsito paulistano. A Praça da Sé recebeu uma multidão imprevista. As paredes dos palácios que a cercam eram riscadas pela sombra oblíqua dos fuzis dos atiradores de elite, postados atrás de cada janela.

No livro que acabo de publicar pela Editora Record, O Brasil, dom Paulo é personagem relevante e ali relato também uma conversa que tivemos, ele já aposentado, no fim dos anos 90, “em um casarão entre árvores murmurantes”, na periferia de São Paulo. E conto: “Falamos do passado, ele guarda uma boa lembrança do general Golbery que lhe levou uma lista de sumidos nas mãos de algozes do terror de Estado, e o chefe da Casa Civil de Geisel chorou”. De verdade, ele fez três visitas ao Mago Merlin do Planalto, todas com o mesmo propósito.

E mais: “De improviso, põe-se a imitar o papa João Paulo II, descreve-o quando da sua última visita a Roma, curva-se e projeta a cabeça como se, eliminado o pescoço, saísse diretamente do meio do peito, e dali extrai a voz do polaco na tonalidade e no ritmo precisos, arrastada, manquitolante e imperativa. Papa Wojtyla, pontífice estadista dos crentes da religião como garantia de um jogo que, intacto e permanentemente igual a dogma, mantém as coisas como estão, inalteradas. O papa da reação e do inextinguível fingimento, de inegável grandeza do mal, perdão, do Mal, ao se apresentar, sem admitir a dúvida da plateia, como representante do Bem”.

Paulo Evaristo, e alguns ainda, personagem de outra e admirável têmpera, em relação aos colegas argentinos. Continuar lendo

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Veja como vai ficar a Zona Portuária do Rio em 2016

Da série porque eu amo o Rio:

De Ancelmo Góis no jornal “O Globo”:

A conclusão do projeto Porto Maravilha, de recuperação da Zona Portuária do Rio, está prevista para 2016. Trata-se de um dos maiores projetos de transformação urbanística da cidade, desde sua fundação, em 1565. Os outros foram com certeza o Aterro do Flamengo, que fará 50 anos em 2015; o Plano Piloto da Barra da Tijuca, de 1969; e o Rio Cidade, na década de 90.

No Porto, a prefeitura planeja a construção de quatro quilômetros de túneis; reurbanização de 70 km de vias e 650.000 m² de calçadas; reconstrução de 700 quilômetros de redes de infraestrutura urbana (água, esgoto, drenagem); implantação de 17 quilômetros de ciclovias; plantio de 15 mil árvores; construção de três novas estações de tratamento de esgoto; e, a joia da coroa, a demolição de quatro quilômetros do Elevado da Perimetral.

Para quem circula diariamente por aquela parte da cidade é praticamente imaginar como vai ficar após as obras. Por isso, a prefeitura tratou de dar um empurrãozinho na sua imaginação. Fez um vídeo com imagens computadorizadas, que mostra exatamente como tudo vai ficar, em três anos.

Enquanto isso nas margens do Potengi…

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Em Berlim é assim. Na Taba é assado

Após reclamação de moradores, a poderosa Coca-Cola retirou um outdoor que bloqueava luz solar. Onde? Em Berlim.

O líder do movimento foi o brasileiro Fernando Rossi que abriu uma petição contra a empresa no site Change.org e criou uma página no Facebook.

A iniciativa deu resultado. A Coca-Cola entrou em contato com os moradores e removeu o anúncio.

Enquanto isso em Natal, os camelôs fazem a festa vendendo cama, sofá, fogão e até cofre na Avenida Roberto Freire.

A propósito, alguém viu o secretário Raniere Barbosa por aí?

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Oh mamãe oh que calor

Albert Einstein esteve em Pindorama em 1925. Na ocasião se referiu ao Brasil como um “paraíso da natureza” e percebeu as pessoas mais preocupadas com problemas de vestuário do que questões realmente sérias e importantes.

Mas o que incomodou realmente Einstein em sua passagem pelo país foi o calor. Ele achava que a canícula tropical parecia deixar o povo um pouco lento e amolecido.

O criador da lei da relatividade, felizmente, não conheceu a Taba.

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