« Voltar | Início » Posts tagged "CARNAVAL"

Quem é a potiguar que está à direita de Orson Welles

A foto da capa da biografia recentemente publicada de Orson Welles, do britânico Simon Callow, mostra o artista americano no Rio, no auge de sua fama. De terno de linho imaculadamente branco, Welles segura em uma das mãos uma bebida, provavelmente cachaça, e na outra um charuto aceso.

Duas mulheres, vestidas à baiana, molduram o cineasta. A da esquerda é a cantora Elizeth Cardoso. A de sua direita é potiguar. Como é seu nome? Não sabem?

Trata-se da cantora Ademilde Fonseca que morreu em março de 2012, aos 91 anos.

Share

A Copa do mundo será um grande carnaval

No início diziam que os estádios não estariam prontos para a Copa de 2014. Depois passaram a espalhar que seria um fracasso. Não colou porque o brasileiro adora festa. A inauguração dos primeiros estádios ajudou a diminuir as críticas. Os ataques agora se restringem aos aeroportos e à mobilidade urbana.

Em artigo publicado no jornal “Valor”, o sociólogo Alberto Carlos Almeida não tem dúvida. A Copa do Mundo no Brasil será um grande Carnaval. E dedica o texto a Roberto DaMatta, espécie de Narciso às avessas. Segue na íntegra:

O Carnaval fracassou. Um conto ou livro de ficção poderia começar com essa frase. Afinal, o Carnaval nunca fracassa. A maioria de nós provavelmente nunca pensou nisso: nunca houve um Carnaval que tivesse fracassado e provavelmente jamais haverá. Aliás, as duas palavras soam incompatíveis. Seria necessária uma breve reflexão acerca das condições nas quais o Carnaval fracassaria.

O Carnaval é um evento nacional. Ainda que a mídia dê uma enorme ênfase aos Carnavais do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco, ele acontece em todos os Estados brasileiros e em todas as cidades. O fracasso do Carnaval, para que fosse noticiado dessa maneira, teria que ser um fenômeno nacional. Igualmente importante é que o Carnaval é um evento muito mais social do que estatal. É verdadeiro que as prefeituras patrocinam inúmeros desfiles, em todas as cidades do Brasil. É igualmente correto afirmar que os governos estaduais são peças importantes no financiamento de vários eventos carnavalescos. Ambos, governos estaduais e prefeituras, estão atendendo a uma demanda social de grande relevância. Não apoiar o Carnaval é algo que vai contra o governante. Se não o fizer, sofrerá desgaste junto a seus eleitores.

O caráter social do Carnaval fica evidente em todos os desfiles que ocorrem: o Bola Preta e o Galo da Madrugada no sábado, as escolas de samba do Rio de Janeiro, os trios elétricos da Bahia, os blocos de frevo de Pernambuco, os inúmeros blocos de sujos e de piranhas que saem em centenas ou milhares de cidades brasileiras, tudo isso só é possível porque milhões de pessoas se mobilizam para a festa. Essas pessoas economizam dinheiro durante o ano para comprar ou confeccionar suas fantasias, pagar a viagem de Carnaval, comprar o abadá. Outros dedicam seu tempo para ensaiar com os demais músicos da banda de que participam, ou para memorizar o samba de sua e de outras escolas. O Carnaval só fracassará quando essa enorme ação coletiva deixar de existir.

Outra característica que impede que o Carnaval fracasse é que ele é carnavalizado. Isso mesmo, o Carnaval é carnavalizado. Muito dificilmente algo carnavalizado fracassa. Carnavalização é a celebração do riso e do cômico, é a subversão da ordem estabelecida por meio da sátira da realidade, por meio da realização do que não se faz durante a maior parte do tempo. A carnavalização é a realização do aspecto festivo da vida. Carnavalizar é relacionar extravagância e simplicidade, erudito e popular, exótico e banal, é misturar classes sociais, etnias e idades, é mesclar estilos, é quebrar tabus e liberar energia, instintos e desejos que em geral são disciplinados pelo oficialismo que rege o mundo a maior parte do tempo.

Não há a menor dúvida de que nossa Copa do Mundo será um evento nacional, social e carnavalizado e, assim sendo, não tem como fracassar. Continuar lendo

Share

“A tradição do Carnaval de rua está voltando”, diz Naná

Por Tom Cardoso | Para o Valor, de São Paulo

Naná Vasconcelos, um dos maiores nomes da música instrumental brasileira, vencedor de oito prêmios Grammy, é o homenageado do Carnaval do Recife 2013. Está escalado para reger dez nações de maracatu, um grupo de 500 batuqueiros, na abertura da festa, sexta-feira, no Marco Zero, no Recife Antigo. O convidado de luxo é Milton Nascimento.

Depois de décadas morando no exterior (“Morei fora, mas nunca sai do Brasil”), Naná, de 68 anos, retorna do exílio involuntário com longo trabalho pela frente: trazer os artistas locais de volta a Pernambucano e manter vivo o maracatu. Leia a seguir a entrevista com o músico.

Valor: O senhor, homenageado do Carnaval do Recife 2013, declarou recentemente que os artistas pernambucanos tinham que aprender com os artistas baianos “a vender o que têm”. A declaração pegou mal entre os seus conterrâneos?

Naná Vasconcelos: Não, eles entenderam o que eu quis dizer. É a verdade. Eu mesmo tive que sair de Pernambuco para vender meu trabalho. E foi assim com Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Lenine, Mestre Ambrósio e tantos outros, que fizeram a carreira no Rio, em São Paulo ou no exterior. Na Bahia, não. Todos os artistas estão lá. O Chiclete com Banana, por exemplo, tem uma rádio só dele, que toca música do grupo o tempo todo. O público do Carlinhos Brown está na Bahia. É um pouco resultado de uma política implantada por Antônio Carlos Magalhães [1927- 2007, governador da Bahia por três vezes], de valorizar a todo custo as riquezas locais.

Valor: Mas o atual Carnaval baiano é acusado de elitista, de acabar com a festa de rua, ainda preservada em sua plenitude no Recife…

Naná: É, tem uma contrapartida. Na Bahia, por causa do processo de mercantilização, o Carnaval está na mão de grandes empresas. Tudo tem seu preço. Mas isso não vai durar. No Rio, até pouco tempo, o Carnaval estava restrito aos clubes e ao desfile das escolas de samba. A tradição do Carnaval de rua, dos blocos, está voltando. Na Bahia será assim. E os artistas vão ficar. A Ivete Sangalo faz sucesso imenso, sabe se vender e tem qualidade. No pacote da axé music tem de tudo: samba-de-roda, fricote, reggae. E da mais alta qualidade. E tem a herança deixada por [Heitor] Villa-Lobos [1887- 1959]. [Gilberto] Gil, quando faz reggae, faz melhor que os jamaicanos, tem uma riqueza harmônica que eles não têm.

Valor: O senhor foi um dos idealizadores do Percpan, festival de percussão de origem baiana, que ainda existe, mas não conta mais com sua curadoria. Como foi a experiência e por que o senhor deixou de organizar o evento?

Naná: O festival foi aos poucos se distanciando da proposta inicial, que era promover intercâmbio de músicos de todo o mundo, sempre tendo a percussão como fio condutor. No início eu estava empolgado. Até fui criticado pelos meus conterrâneos: “Ah, o Naná virou baiano”. Consegui promover encontros importantes. Milton Nascimento e Gilberto Gil se apresentaram pela primeira vez juntos no Percpan – depois fizeram um disco juntos [“Gil & Milton”, lançado em 2000]. Eu levei músicos cubanos ao terreiro de candomblé da Mãe Stela. O importante, mais do que a própria apresentação, era promover encontros de culturas diferentes. Aí o festival foi perdendo a mão. O Jorge [Ben Jor] fez um show convencional, cantou “W/Brasil” e aqueles sucessos de sempre. O Caetano, também. Virou mais um festival de música, como todos os outros. Aí não quis mais.

Valor: Foi nessa época que o senhor recebeu o convite para reger os grupos de maracatu no Carnaval do Recife. Algo então considerado impossível por causa da rivalidade entre os blocos…

Naná: Sim, a rivalidade era enorme. Imagine reunir no mesmo espaço as baterias da Mangueira, da Portela e da Beija-Flor? O pessoal me chamou, já descrente: “Você não vai conseguir”. Consegui, e num momento em que o maracatu estava prestes a desaparecer, confinado a pequenos guetos da periferia do Recife. Fiz o que o Gil fez com os afoxés ao gravar com os Filhos de Gandhy. Consegui quebrar barraqueiras e levar o maracatu para o centro do Recife, fazer com que ele fosse ouvido pelos jovens de classe média. Continuar lendo

Share

Este homem é um forte candidato ao maior mentiroso do Brasil

O prefeito de Macau Kerginaldo Pinto (interior do Rio Grande do Norte) reuniu jornalistas e convidados numa churrascaria de Natal nesta quarta-feira com a finalidade de divulgar o Carnaval. O restaurante ficou lotado. Era gente saindo pelo ladrão.

O prefeito mentiu tanto que um amigo presente não se conteve, se levantou da mesa e foi embora antes de servirem o almoço. Em certas ocasiões, é melhor resistir do que ceder.

O que disse o senhor Pinto que aborreceu meu colega?

A Prefeitura vai gastar 4 milhões de reais com o evento que pelas contas exageradas de Pinto vai gerar 20 milhões de reais na economia da cidade. Ora, a prefeitura de Olinda gasta isso aí para fazer um dos maiores (e melhores) carnavais do país. No RN, Caicó, cujo carnaval é maior, investe 100 mil reais. E esse ano, devido a seca, vai reduzir os custos.

O mais absurdo ficou para o final.

Em tom apoteótico, o alcaide disse que Macau deverá receber 300 mil foliões durante os dias de festa. Como uma cidade com apenas 30 mil habitantes, onde de dia falta água e a noite, falta luz, sem a menor infraestrutura, vai abrigar 300 mil almas famintas? Eis o segredo.

Quem quiser, que conte outra.

Share

ÍNDIO QUER APITO

Índio quer apito!

O jornal “Tribuna do Norte” informa que o Carnaval em Macau levou 200 mil pessoas às ruas. A população de Macau é de 25.521 habitantes (de acordo com o IBGE). Portanto, em cinco dias, Macau cresceu sete Macau. Mesmo assim, tudo lá funcionou às mil maravilhas. Foi mesmo?

Se fosse verdade, Macau teria sucumbido. Não há uma cidade no mundo capaz de dobrar sua população em poucos dias sem ter seus serviços afetados. Imaginem Macau cuja infra-estrutura dispensa comentário.

Quem viu o filme sobre Woodstock deve se lembrar do desespero das autoridades de Bethel onde o festival se realizou: não havia comida, não havia água e os banheiros eram escassos. Isso sem contar com engarrafamentos quilométricos. E Bethel, vocês sabem, é uma cidade americana.

Agora, meus caros, imaginem Macau, pobre, feia e mal-lavada, invadida por 200 mil bárbaros?

Reitero: o jornalismo potiguar tem uma coisa a seu favor. Aos nos oferecer a opinião dos deseducados, ele nos mantém em dia com a ignorância da Taba.

Share