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A ÚNICA COISA A FAZER É TOCAR UM TANGO ARGENTINO

A temperatura chegou aos 400 graus Celsius nesta terça-feira na Câmara Municipal de Natal com troca de acusações entre os vereadores que apoiam a prefeita Micarla de Sousa e a oposição.

O secretário Eugênio Bezerra chegou a ser retirado da casa por seguranças depois de ameaçar a mulher de um vereador.

Natal nunca foi tão Natal. Chegamos ao fundo do poço. Com os parlamento que aí está, acreditem, é quase impossível sairmos de lá.

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo nossos políticos ainda são os mesmos.

O que fazer, então? A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Seguem trechos da cobertura do jornal “Tribunal do Norte”:

POR MARIA DA GUIA DANTAS

Em uma tarde de empurra-empurra, tumulto e gritarias, os vereadores da Câmara Municipal de Natal (CMN) livraram a prefeita Micarla de Sousa (PV) de um processo de impeachment, rejeitaram pela segunda vez a proposta que permite a instalação de postos em supermercados da cidade e, por fim, aprovaram o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), este último condição indispensável para o início do recesso parlamentar. As duas propostas rejeitadas pelos vereadores revelaram um já visível declínio da bancada até pouco tempo soberana do Governo.

O requerimento que pedia a abertura de um processo de cassação da chefe do Executivo foi rejeitado por 13 votos a 7, um placar folgado, diante da necessidade de 14 anuências para procedência do pedido. Mas a urgência para votação da lei dos postos – do vereador da oposição, Fernando Lucena (PT) – registrou empate. E só foi descartada porque o presidente da CMN, vereador Edivan Martins, definiu o resultado opinando pela improcedência do pedido, um posicionamento inverso ao que externou na votação passada.

Somente se posicionaram contrários à matéria de Fernando Lucena os vereadores Dickson Nasser (PSB), Enildo Alves (DEM), Adenúbio Melo (PSB), George Câmara (PC do B), Heráclito Noé (PPS) e Chagas Catarino (PP). Nesta votação, a ata da CMN registrou as ausências de Maurício Gurgel (PHS) e Aquino Neto (PV).

O parlamentar do PV, no entanto, apareceu em seguida, para se somar ao grupo que optou por rejeitar o pedido de impeachment de Micarla de Sousa. Os discursos, no momento da votação, eram acirrados. Defensor da prefeita, o vereador Chagas Catarino disse que “não vê motivos para afastamento”. “Eu só tenho a agradecer. Consegui tudo que pleiteei”. Provocado pelas declarações do vereador Enildo Alves, que acusou o PT e a deputada Fátima Bezerra de “boicotar Natal” nos últimos anos, o petista Fernando Lucena bradou: “Um titanic afundando a cidade e a culpa é do PT?”, ironizou.

O clima estava tão tenso que desafiado por Júlio Protásio (PSB) de presidir a sessão com dois pesos e duas medidas, o presidente da CMN, Edivan Martins, chamou-o de míope e, aos gritos, afirmou que não aceitaria intimidações. “Vossa excelência manda as galerias se calarem quando as palavras de ordem partem dos opositores da prefeitura, quando os cargos comissionados gritam, não diz nada”, acusou Protásio. Edivan, em tom de irritação, retrucou: “Essa mesa é firme e não vai ser dirigida e nem presidida por ninguém”.

As provocações persistiram de um lado e de outro. O vereador Adenúbio Melo, que é do PSB da candidata a vice-prefeita Wilma de Faria, voltou a se manifestar favorável a gestão da prefeita. “Sinto orgulho e vou com ela até o fim”.

Acusado por Heráclito Noé e Enildo Alves de oportunista e “homem camaleão”, o vereador Júlio Protásio, acusou a ambos de escudos da prefeita Micarla de Sousa. “O Heráclito que está aqui é o que foi eleito pela oposição ou o que largou o Gabinete Civil para fazer frente a tropa de choque a mando da prefeitura truculenta que Governo Natal hoje?”, criticou. Júlio acusou também Enildo Alves de eterno governista e de ter traído aliados por questões pessoais.

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