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Pai e filho…

Uma das cenas mais tocantes na história do cinema e que sempre me dá arrepios. É do filme “Em nome do pai”, do Jim Sheridan.

O longa recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo as categorias Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado. A história é a seguinte: Na década de 70, um atentado do IRA mata cinco pessoas num pub de Guildford, cidade próxima à Londres. Gerry Conlon (interpretado por Daniel Day-Lewis) é um jovem rebelde irlandês que acaba sendo injustamente acusado pelo crime, e pega prisão perpétua junto com outros três amigos.

Giuseppe Conlon (Pete Postlethwaite), seu pai, tenta ajudá-lo, mas é condenado também. Pai e filho, acabam dividindo a mesma cela. Trilha sonora maneira do U2.

Os papeizinhos em chamas caindo das janelas da prisão é arrepiante! Dedico a memória do meu pai, que por coincidência, também se chamava Daniel.

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A arte de dizer a verdade, mentindo

Chaplin

Ruy Castro lembra episódios curiosos da vida de Chaplin na Folha. O escritor e jornalista conta que certa vez, numa festa, o artista cantou uma ária de ópera para espanto dos convidados.

“Não sabíamos que cantava tão bem, sr. Chaplin!”. “Mas não sei cantar”, ele respondeu. “Estava apenas imitando Caruso.”

Segue o texto cujo titulo é “Licença para mentir”:

RIO DE JANEIRO – Os leitores de “Cinearte” ou “A Scena Muda” devem ter lido na época. Nos anos 1920, Charles Chaplin, no auge, foi a uma festa em Monte Carlo em que os convidados tinham de se fantasiar de… Carlitos. As caracterizações mais fiéis ganhariam prêmios. Segundo Arthur Koestler, em cujo livro “The Act of Creation” fiquei sabendo disso, Chaplin, usando a roupa e a maquiagem de Carlitos, pegou o, adivinhe, terceiro lugar.

Carlos Heitor Cony, em seu magnífico livro “Chaplin”, recém-lançado, conta a mesma história, mas diz que ele ficou em 18º lugar. Não sei em que documentos em copta ou servo-croata Cony se baseou para quase condenar Chaplin à repescagem, mas com ele é assim. Suas fontes são tão inesperadas que não estranharei se uma autoridade em Chaplin, como o inglês Kevin Brownlow, vier a público e confirmar a versão de Cony.

Brownlow é o responsável pela nova edição restaurada de uma das obras-primas de Chaplin, “Em Busca do Ouro”, em DVD pela Criterion Collection (US$ 14,99, pela Amazon). Contém a versão original muda do filme, de 1925, diferente da sonorizada e narrada por Chaplin em 1942, que era a que sempre assistimos e amamos. A “nova” versão muda é muito mais delicada, e os extras do DVD revelam que a sequência em que Carlitos caminha por aquele penhasco gelado, seguido por um urso, era um efeito especial –ou seja, ele nunca correu o risco de cair no abismo.

O gênio de Chaplin não tinha lugar nem hora. Em outra festa, ou quem sabe a mesma, e para surpresa geral, ele se levantou e cantou uma ária de ópera, com notável voz de tenor. Os convidados foram cumprimentá-lo: “Não sabíamos que cantava tão bem, sr. Chaplin!”. “Mas não sei cantar”, ele respondeu. “Estava apenas imitando Caruso.”

Ao contrário dos políticos, o artista pode e deve mentir –para ser fiel à verdade.

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Quem é a potiguar que está à direita de Orson Welles

A foto da capa da biografia recentemente publicada de Orson Welles, do britânico Simon Callow, mostra o artista americano no Rio, no auge de sua fama. De terno de linho imaculadamente branco, Welles segura em uma das mãos uma bebida, provavelmente cachaça, e na outra um charuto aceso.

Duas mulheres, vestidas à baiana, molduram o cineasta. A da esquerda é a cantora Elizeth Cardoso. A de sua direita é potiguar. Como é seu nome? Não sabem?

Trata-se da cantora Ademilde Fonseca que morreu em março de 2012, aos 91 anos.

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Preto no branco

Frank Frazier é um artista afro-americano. Nascido no Harlem, começou pintando aos sete anos de idade. Entrou para o exército, serviu no Vietnã e virou uma lenda.

Em “Jackie Brown”, Quentin Tarantino presta uma justa e merecida homenagem a esse extraordinário artista decorando com um de seus mais famosos quadros, “Visions in Black”, o apartamento da personagem interpretada por Pam Grier.

“Jackie Brown” é o terceiro filme de Tarantino que também escreveu o roteiro, adaptado do romance “Rum Punch”, do escritor Elmore Leonard, e rende tributo ao cinema negro, urbano, da década de 1970.

Outra pérola do filme é a música, em especial, o resgate do trio The Delfonics.

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Na estrada com Jack Kerouac

Boa parte dos leitores deste blogue que já leram “On The Road” (Pé na estrada), de Jack Kerouac, conhece a história. Não custa repeti-la.

O rolo de telex usado pelo escritor para datilografar o livro tinha 36 m de comprimento e 22 cm de largura. Kerouac se orgulhava de dizer que, desenrolando o manuscrito, ele se parecia com uma estrada.

Em maio de 2001, o rolo foi comprado por 2,5 milhões de dólares por um americano milionário dono de um time de futebol, o Indianapolis Colts.

Quando estive em Nova York, nos anos 90, visitei o bar White Horse (567 Hudson Street), no Village, onde ele ia frequentemente encher a cara. Pena que estava fechado para uma pequena reforma.

Abaixo, uma entrevista de Jack Kerouac a William F. Buckley Jr.

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Filme pernambucano escolhido um dos dez melhores de 2012 pelo NYT é uma crônica sobre a nova classe média brasileira

“O Som ao Redor”, do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, foi escolhido como um dos dez melhores filmes de 2012 pelo “New York Times”. Longa faz uma crônica sobre nova classe média brasileira.

O jornalista Marcelo Miranda entrevistou o diretor para o jornal “Valor”. Segue a conversa na íntegra:

Há algumas semanas, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho ouviu a história de uma senhora de classe média que ficou enfurecida com a empregada doméstica, que tinha adquirido um fogão caro. “Se você mal tem dinheiro para alimentar seus filhos, como é que compra um fogão melhor do que o meu?”, perguntou a senhora. “Se eu tivesse ouvido isso quando fazia meu filme, teria colocado no roteiro”, afirma Mendonça Filho.

É desse tipo de choque social que trata “O Som ao Redor”, primeiro longa de ficção do diretor de 44 anos, que estreia amanhã. Ao longo de um ano, o filme percorreu 36 festivais, iniciando em Roterdã, de onde saiu com o prêmio da Federação Internacional dos Críticos de Cinema (Fipresci), e passando por Gramado, onde venceu em direção, som, júri popular e júri da crítica.

O filme já foi exibido em espaços tão díspares quanto o State Theatre em Sydney, na Austrália, numa sessão para 1.500 pessoas, e o Corpo de Bombeiros de Sarajevo, na Bósnia, a 500 espectadores. O diretor tinha dúvidas sobre a reação de estrangeiros a uma crônica urbana cujo cenário é o bairro de Setúbal, onde o próprio cineasta mora, no Recife. Mas o filme tem colhido elogios. A primeira longa reportagem internacional sobre a produção, escrita por Larry Rohter para o “The New York Times”, em agosto, exaltava o fato de ela lidar criticamente com as consequências das transformações sociais no Brasil desde o começo do governo Lula, em 2003.

“Um bom filme, ou uma boa crônica, livro ou roteiro, faz o retrato artístico de seu tempo. Lula representou uma grande mudança. A postura, o jeito de falar, a forma como tratou as classes mais baixas, tudo isso trouxe um respeito muito grande e fez com que os mais pobres aprendessem a não baixar mais a cabeça”, diz Mendonça Filho. Continuar lendo

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Os 15 melhores filmes que você provavelmente não assistiu em 2012 nem verá porque bom gosto não é sua praia!

Do site Diário do Centro do Mundo

Apesar da boa qualidade, estes longas tiveram pouco distribuição e divulgação no Brasil

Tivemos um 2012 repleto de blockbusters. Alguns exemplos são Os VingadoresBatman e Operação Skyfall, para ficar apenas em três nomes. É possível, então, que muitos filmes de qualidade menos famosos tenham passado batido por você. O que é compreensível. Afinal, eles não têm uma campanha de marketing igual à de seus primos ricos; ficam poucas semanas em cartaz; e são distribuídos para poucas salas de cinema no Brasil. É por conta disso que fizemos uma lista dos 15 melhores filmes que você — provavelmente — não assistiu em 2012.

15. Na Estrada

O último filme de Walter Salles pode não fazer jus à obra de Jack Kerouac, mas não deixa de retratar um dos maiores livros beat da história, examinando a fundo o movimento beatnik e sua geração.

14. 360

Mais um filme dirigido por um brasileiro, 360, último de Fernando Meirelles e baseado na peça A Ronda, é uma espécie de Babel mas, em vez de ter um foco político, examina relações, com a mesma dose de efeito dominó e teoria do caos do filme do mexicano Guillermo Iñarritu.

13. Procura-se um amigo para o fim do mundo

Em um ano como 2012, já era de se esperar que filmes com uma temática apocalíptica fossem lançados aos montes. Mas, diferente de produções que focam no terror do apocalipse, Procura-se um amigo se concentra nas relações humanas e neste fim de uma forma mais profunda, misturando comédia com drama como os melhores indies são capazes de fazer.

12. Febre do Rato

Um dos melhores filmes brasileiros do ano, o novo de Cláudio Assis examina a desordem de uma das grandes metrópoles brasileiras (Recife), mostrando a vida de um poeta que escreve num jornal-manifesto chamado Febre do Rato.

11. Ruby Sparks

A nova comédia indie dos diretores de Pequena Miss Sunshine mostra um jovem escritor tentando escrever seu segundo livro depois de ser considerado um gênio ao lançar seu primeiro romance. Ele acaba escrevendo uma personagem chamada Ruby, pela qual se apaixona, até perceber, para seu espanto, que ela criou vida.

10. Drive

Apesar de ter feito sucesso ganhando o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes de 2011, Drive foi lançado no Brasil apenas em março do 2012. Fazendo homenagem aos grandes filmes b de perseguição, a história mostra um motorista sem nome que trabalha como dublê no cinema e se envolve com o crime para ganhar uns trocados a mais, contando com um elenco com nomes como Ryan Gosling, Bryan Cranston, Carey Mulligan e Christina Hendricks. Continuar lendo

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Liberdade é legal, mas falar dela e vivê-la são duas coisas diferentes

Uma das minhas cenas favoritas em “Easy Rider” é o diálogo de Jack Nicholson e Dennis Hopper sobre a liberdade. A dupla acabara de ser expulsa do bar, e Hopper, indignado, busca uma explicação.

– Eles têm medo da gente – diz Hopper.

– Não de vocês, necessariamente, mas do que vocês representam – explica Nicholson. E para eles, vocês representam a liberdade.

– E qual o problema? Liberdade é legal! – indaga Hopper.

– Liberdade é legal mesmo, mas falar dela e vivê-la são duas coisas diferentes. É difícil ser livre quando se é comprado e vendido no mercado.

http://youtu.be/H4wc_JGEKMw

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Como amar profundamente sem repetir o velho chavão EU TE AMO

Como amar profundamente alguém sem falar EU TE AMO. Só vendo o filme Amour, de Michael Hanecke, que estreia no Brasil em janeiro. O jornalista Kiko Nogueira, que viu o longa, dá algumas pistas a respeito. Confiram.

O filme Amour, de Michael Hanecke, é lento, tem basicamente três atores, dois deles octogenários, e se passa dentro de um apartamento.

Desistiu?

Não faça isso. É uma obra-prima. A estreia no Brasil está marcada para janeiro. O diretor Michael Hanecke conta a história um casal de professores de música aposentados, Anne

e Georges, que moram em Paris. Têm uma filha única chamada Eva. Anne sofre um AVC, é operada – e a operação é malsucedida. Ela tem sequelas. Daí em diante é um poema sobre a morte, a velhice, a vida, a solidão, a compaixão — e sobretudo, claro, o amor.

Não o amor a que estamos acostumados a ver em Hollywood. Eles não são jovens apaixonados. Eles não são bonitos. É o amor da maturidade, aquele que, reza a lenda, deveria existir na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. A maestria de Haneke está em mostrar menos, falar menos, e insinuar mais. A frase “eu te amo” não é ouvida. O cotidiano de Georges e Anne é comum. Eles conversam amenidades no café da manhã, ouvem música, comentam notícias de jornal, recebem visitas da filha Eva (Isabelle Hupert). Até que a senilidade de Anne começa a cobrar seu preço. Ele promete a ela que jamais a colocará numa casa de repouso.

Dentro disso há mais poder, tensão, conflito e romance do que nos 490 filmes de 007 e 852 Batmans.

Amour ganhou a Palma de Ouro em Cannes, entre outros prêmios. Quem faz Georges é Jean Louis Trintignant que não atuava há 14 anos. Emmanuelle Riva faz sua mulher. O primeiro tem 80 anos. Emmanuelle, 85. Numa época em que qualquer pessoa – especialmente atores –, qualquer pessoa foge, inutilmente, desesperadamente, das rugas ou da perda de cabelo, os dois abraçam a decadência física com toda a força de seu talento.

O olhar ausente de Anne e sua progressiva dificuldade de se comunicar são um lembrete de que tudo acaba (assim como as músicas do filme, interrompidas bruscamente). A atitude compassiva e corajosa de Georges, a maneira minuciosa como ele corta margaridas para ela, as cenas em que ele a imagina ao piano como antigamente, a sala vazia – são instantes de beleza e reflexão. Não há uma lágrima derramada. Não é um dramalhão.

É a coisa mais próxima do que se poderia chamar amor que uma obra de arte é capaz de produzir.

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