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Seedorf não é somente o craque do Botafogo; Ele é também o melhor jogador atualmente em atividade no Brasil

Seedorf

Seedorf deu uma longa entrevista ao site da Fifa cujos trechos este blogueiro, botafoguense roxo, reproduz abaixo. Não importa se você, leitor hipócrita, meu igual, meu irmão, torce pelo Palmeira, Corinthians, Flamengo, Vasco, Fluminense, Cruzeiro. Aliás, sejamos honestos: não é preciso ser torcedor exclusivamente do Botafogo para apreciar o futebol do craque alvinegro, não é mesmo? Confiram:

Na primeira parte da entrevista com o FIFA.com, Seedorf falou sobre a chegada ao Brasil e como rapidamente tornou-se importante no Botafogo, assumindo o posto de líder de um elenco jovem. Aqui, nosso papo continua e dá detalhes de como o holandês exerce essa influência positiva, com atenção especial aos jovens.

Ele cruzou o oceano sem expectativas. Depois de uma temporada em que foi pouco aproveitado pelo técnico Massimiliano Allegri e não obteve ritmo de jogo no Milan, Clarence Seedorf apostou que conseguiria, aos 36 anos, voltar a jogar futebol com a frequência – sua média na carreira é de quase 50 partidas por ano – e a qualidade de sempre. Pois chegou ao Botafogo com a responsabilidade de liderar um elenco jovem e o status de herói. No aeroporto, uma multidão dava as boas vindas, com direito ao rosto do craque estampado em uma grande bandeira.

Adaptar-se não foi difícil. Seedorf já falava português. Aprendeu enquanto ouvia o lateral Roberto Carlos, com quem dividiu quarto por quatro anos em Madri. “Nunca vi alguém falar tanto por telefone”, conta, aos risos. O Rio de Janeiro, local de suas férias por alguns anos, não era novidade. Nem o arroz com feijão, prato dos mais simples e típicos brasileiros e que come “todos os dias. Não tem como escapar”.

Tão descomplicado e saboroso quanto o arroz com feijão é o futebol que o Botafogo vem jogando desde a chegada de sua estrela. O Glorioso conquistou o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro e lidera o Campeonato Brasileiro após 16 rodadas. Muito do mérito é de Seedorf e da influência positiva que exerce na equipe. Confortável na posição de comandante dentro de campo, o holandês contou ao FIFA.com os porquês do sucesso nos gramados brasileiros.

Muitos dizem que você é o mais brasileiro dos estrangeiros no Brasil. É, claro, um elogio. Você se sente um pouco brasileiro também?
Clarence Seedorf: Eu me sinto um pouco brasileiro, sim. Claro que é um elogio. Os fatos dizem que os melhores jogadores saíram daqui. Acho que têm poucos países em que você sai e vê tanta camisa de futebol na rua. Qualquer pessoa, de qualquer situação social, sente o orgulho de levar a camisa do seu clube. O Suriname vê muito a Seleção Brasileira, junto com a holandesa. Quando eu assisti à Copa de 1986, meu pai teve que me levar para fora e me acalmar quando o Brasil perdeu da França. Eu estava chorando, com raiva, era o último torneio do Zico. O futebol para mim era aquele.

E é tão diferente para você o futebol brasileiro do europeu?
CS: O diferente é a disciplina, a aplicação tática. A disciplina existe muito mais na Europa do que aqui. Aqui existe muito mais talento puro, mais qualidade individual. Não estou falando que lá não tem qualidade ou aqui não tem tática. Isso dentro do campo. Fora do campo é completamente oposto. Quem vive e joga na Europa viaja no máximo quatro horas, e isso durante a Champions League. Quando joga no próprio país viaja 1h30min no máximo. As viagens aqui… De Porto Alegre para a Bahia são 4h30min. É bem difícil a parte logística. Até a diferença de temperatura do norte para o sul. Esses são os maiores desafios para adaptação.

Essa disciplina europeia já vem da formação ou os técnicos são mais exigentes?
CS: É uma questão de organização. A Seleção Brasileira tem aplicação tática como todos os outros, senão não vence. O futebol internacional é assim. Não é só a Europa, mas com certeza a Europa tem essa cultura. A educação é um pouco mais rígida. Aqui, na América do Sul, é um pouco mais livre. Quando um país tem dificuldade, situação de crise, existe mais criatividade. O Brasil tem uma disciplina com sabor sul-americano. Todo mundo tem que defender da mesma maneira. Pode ser mais na frente, pode ser mais atrás, mas tem que ter compactação, que é a palavra-chave para todos. Atacando, você vai ver a diferença da aplicação tática. Na Europa, têm muitos treinadores que são muito esquemáticos para atacar. E quanto mais ao sul você vai, mais o jogador tem liberdade para usar a criatividade. Você vê Holanda e Dinamarca e depois vê a Espanha, é completamente diferente. Continua sendo Europa, mas você tem muito mais liberdade para trocar de posições, procurar jogada individual. No Brasil, pela qualidade individual que tem, os treinadores dão essa liberdade. Eles querem que os jogadores vão para cima. Se têm dois marcadores, o jogador acha que pode passar pelos dois e não tem problema, ele tenta. Você tenta fazer isso na Holanda, eles te chamam. “Dois jogadores? Volta a bola para trás, vira a bola”. É outra mentalidade. Não é um melhor do que o outro. Seguramente, eu estou mais próximo do futebol brasileiro. Continuar lendo

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