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Outra coisa é fascismo, Cristovam Buarque!

Rio 2013

Cristovam Buarque ouviu de orelhada os gritos de “Sem Partido!”  e achou, irresponsavelmente, uma excelente ideia. O jornalista Kiko Nogueira, direito do Diário do Centro do Mundo, lamenta tanta estultície. E oportunismo. Segue abaixo:

A casquinha que os partidos e seus líderes estão tentando tirar da onda de protestos é tragicômica. O PSDB nunca foi tão PSDB. Depois de Alckmin bater pesado nos manifestantes em São Paulo, o Instituto Teotônio Vilela soltou um comunicado dizendo que, “quando o povo, enfim, se manifesta por si próprio, cabe a quem governa, a quem tem o poder de decidir e intervir no futuro do país respeitá-lo, ouvi-lo e agir. É o primeiro passo para que mudanças verdadeiras aconteçam”.

A Juventude do partido foi mais longe. Superou Arnaldo Jabor na velocidade estonteante com que mudou de rumo. Primeiro a declaração de que “não participará deste manifesto em virtude de acreditarmos que o mesmo tenha se transformado em movimento político onde um dos intuitos é de enfraquecer o governo do Estado de São Paulo”. Quarenta e oito horas mais tarde, a conversa era outra: “O Brasil entrou em um novo momento de participação política”. A Juventude acha tudo lindo, mas não participará com bandeiras e camisetas “em respeito aos desejos de todos os manifestantes para que partidos políticos não participassem”. (Nesse sentido, os peessedebistas foram mais espertos do que o PT, que mandou militantes para o sacrifício na quinta passada, numa convocação equivocada de Rui Falcão).

Agora, dos políticos que estão tentando faturar em cima deste momento, o gesto mais demagógico e absurdo veio de Cristovam Buarque (PDT-DF). Num discurso no Senado, na sexta-feira, Buarque defendeu simplesmente a extinção dos partidos políticos. A extinção. Caput. Finito. Ele ouviu de casa os gritos de “Sem partido! Sem partido!” da multidão e resolveu tirar sua casquinha.

“Talvez eu radicalize agora, mas acho que para atender o que eles querem nós precisaríamos de uma lei com 32 letras: estão abolidos os partidos. Isso sensibilizaria a população lá fora”, afirmou CB. “Talvez seja a hora de dizer: estão abolidos todos os partidos para colocar outra coisa em seu lugar”. Continuar lendo

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Tudo o que parecia sólido desmanchou-se no ar

Paris - 1968 (b)

Paris  - 1968

“Havia um ar estranho: a revolução inesperada arrastara o adversário, tudo era permitido, a felicidade coletiva era desenfreada.” (Antonio Negri)

“1968” foi o ano louco e enigmático do nosso século. Ninguém o previu e muito poucos os que dele participaram entenderam afinal o que ocorreu. Deu-se uma espécie de furacão humano, uma generalizada e estridente insatisfação juvenil, que varreu o mundo em todas as direções. Seu único antepassado foi 1848 quando também uma maré revolucionária – a “ Primavera dos Povos” -, iniciada em Paris em fevereiro, espalhou-se por quase todas as capitais e grandes cidades da Europa, chegando até o Recife.

O próprio filósofo Jean-Paul Sartre, presente nos acontecimentos de maio de 1968 em Paris, confessou, dois anos depois, que “ainda estava pensando no que havia acontecido e que não tinha compreendido muito bem: não pude entender o que aqueles jovens queriam…então acompanhei como pude…fui conversar com eles na Sorbone, mas isso não queria dizer nada”.

A dificuldade de interpretar os acontecimentos daquele ano deve-se não só à “multipla potencialidade do movimento”como a ambiguidade do seu resultado final. A mistura de festa saturnal romana com combates de rua entre estudantes, operários e policiais, fez com que alguns, como C.Castoriaditis, o vissem como “uma revolta comunitária” enquanto que para Gilles Lipovetsky e outros era “a reivindicação de um novo individualismo.”

Tornou-se um ano mítico porque “1968” foi o ponto de partida para uma série de transformações políticas, éticas, sexuais e comportamentais, que afetaram as sociedades da época de uma maneira irreversível. Seria o marco para os movimentos ecologistas, feministas, das organizações não-governamentais (ONGs) e dos defensores das minorias e dos direitos humanos. Frustrou muita gente também. A não realização dos seus sonhos, “da imaginação chegando ao poder”, fez com que parte da juventude militante daquela época se refugiasse no consumo das drogas ou escolhesse a estrada da violência, da guerrilha e do terrorismo urbano. Continuar lendo

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Você viu Arnaldo Jabor por aí?

http://youtu.be/XFuNp3gx3D0

De Kiko Nogueira direto do Diário do Centro do Mundo:

O colunista Arnaldo Jabor fez um dos mea culpas mais espetaculares na história do jornalismo mundial, notável em dois aspectos: pela convicção e truculência do primeiro comentário, devidamente renegado; e pela velocidade da mudança de ideia.

“Só os tolos e os mortos não mudam de opinião”, disse o poeta e diplomata abolicionista James Russell Lowell. Entendido. Mas uma autocrítica dessa violência, em menos de uma semana, é um caso de estudo.

No Jornal da Globo, Jabor dirigiu palavras virulentas aos manifestantes do Movimento Passe Livre. Apoplético, comparou-os ao PCC, classificou-os de revoltosos de classe média, xingou-os de filhinhos de papai. “No fundo, tudo é uma imensa ignorância política. Uma burrice misturada a um rancor”, cravou.

Na segunda-feira, na CBN, cinco dias mais tarde, era um homem diferente. “Outro dia eu errei, sim. Errei na avaliação do primeiro dia das manifestações contra o aumento das passagens em São Paulo. Falei na TV sobre o que me pareceu um bando de irresponsáveis fazendo provocações por causa de 20 centavos. Era muito mais que isso”, disse o jornalista. “Hoje, eu acho que o MPL se expandiu como uma força política original. Na mídia só aparecem narrativas de fracasso, de impunidades, de derrotas diante do mal. Essa energia do Passe Livre tem que ser canalizada para melhorar as condições de vida no Brasil”.

Jabor está pegando uma carona oportunista no MPL. Lançou um anzol para ver se pesca alguma coisa. O movimento capturou uma insatisfação, com sua bandeira da redução da tarifa de ônibus; hoje, o espectro das manifestações é amplo. Calcula-se que 235 mil pessoas saíram às ruas em todo o Brasil para protestar. O MPL vai na vanguarda, batendo bumbo. Atrás, gente gritando slogans contra Dilma, contra a Copa, contra a lei da maioridade penal, contra prefeitos, contra governadores, contra os hospitais públicos, contra a corrupção etc etc. Alguns estão ali pela farra.

Mas e Jabor? Onde estava o redivivo Arnaldo Jabor? Ali, junto do povo? Continuar lendo

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O que Diogo Mainardi tem a ver com o vândalo Pierre Ramon

Pierre Ramon Alves de Oliveira que apareceu na televisão depredando a prefeitura de São Paulo, no protesto de terça-feira, é estudante de arquitetura de uma universidade privada e filho de um empresário da área de transportes.

Após confessar ter participado da depredação, Ramon decidiu pedir desculpas. A polícia havia solicitado sua prisão temporária por formação de quadrilha, mas o juiz negou o pedido.

Ramon é a versão atual de Diogo Mainardi. Eu explico. Em 1979, Mainardi aderiu as manifestações promovidas pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo depredando e saqueando uma loja no centro da capital paulista.

Mainardi foi colunista de Veja. Se depender da revista da Abril, o futuro de Ramon está garantido!

Diogo Mainardi

 

Protestos em SP

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O Brasil pode ter acordado agora, mas eu não durmo desde a ditadura militar

Certas pessoas podem ter acordado agora, mas eu não durmo desde a ditadura militar que prendeu, torturou e matou centenas de jovens. Naquela época, então com 16 anos, fui preso duas vezes.

A primeira por pichar um muro em que pedia, acreditem, democracia, liberdade e eleições diretas.

O Brasil mudou de lá para cá, apesar do sono profundo de certas pessoas. A luta, para quem nunca cochilou como este escriba e tantos outros, continua!

Continuo um cético que se recusa a perder a esperança.

Ailton Medeiros 2012

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