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Encontros e desencontros

Do blogue de Nassif:

Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China. Cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.

Em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova York dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse, e foi assim…

http://youtu.be/XNcWRbh8wQA

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A mulher que toda cidade sonha em ter como prefeita

Raul Juste Lores entrevistou para a revista “Serafina” a secretária de Transportes de Nova York, Janette Sadik-Khan.

Em cinco anos no cargo, ela abriu 450 km de ciclovias, reduziu o número de pistas da Broadway pela metade, dobrando as calçadas dos dois lados e espalhando cadeiras e mesinhas e transformou a Times Square num grande calçadão, entre outras valiosas iniciativas.

Resumo da ópera: a qualidade de vida na cidade melhorou, o movimento do comércio cresceu e os índices de popularidade do prefeito Michael Bloomberg estão nas alturas. O prefeito Carlos Eduardo Alves bem que podia copiar algumas das ações de Janette.

Ah, sim, ela mora no Village e vai de bicicleta para o trabalho todos os dias. Ser chique é isso.

Segue texto na íntegra:

24 horas depois do furacão Sandy atingir Nova York, em 28 de outubro, o prefeito Michael Bloomberg anunciou que a secretária de Transportes, Janette Sadik-Khan, tinha um plano para o caos que se instalou no trânsito da cidade –sem metrô e sem semáforos, graças ao blecaute.

“Só carros com três passageiros ou mais poderão entrar em Manhattan. Até o fim de semana, os ônibus circularão com a catraca livre”, determinou.

Os nova-iorquinos já se acostumaram com as medidas às vezes radicais da mulher que manda no trânsito da maior cidade americana.

Em cinco anos no cargo, a superpoderosa secretária de Transportes de Nova York abriu 450 km de ciclovias, 50 km de corredores de ônibus e fechou várias praças aos carros –a mais famosa delas, a Times Square, tornou-se um grande calçadão.

Reduziu o número de pistas da Broadway pela metade, dobrando as calçadas dos dois lados e espalhando cadeiras e mesinhas.

Pela velocidade com que está transformando a paisagem nova-iorquina, ela é amada por ciclistas e odiada com igual intensidade por taxistas.

Magra, com corpo forte de quem pedala e faz ioga, um orçamento anual de R$ 4 bilhões e mais de 4.500 funcionários em sua equipe,

Janette, 51, é igualmente retratada em reportagens de urbanismo e em publicações de estilo.

É uma rara política de olfato fashion, bronzeada e de corpo torneado, destoando do clichê das burocratas de tailleurs.

Formada em ciência política e em direito pela Universidade Columbia, era vice-presidente de uma grande empresa de engenharia quando foi “descoberta” por Bloomberg.

“Antes, a política de transporte se resumia a aumentar a velocidade dos carros na cidade. Para mim, o mais importante de tudo é priorizar o pedestre, o ciclista e o transporte público”, disse à Serafina, em seu escritório, em um arranha-céu com vista para o East River e o Brooklyn, no distrito financeiro de Manhattan.

“Diziam que os lojistas da Times Square perderiam muito dinheiro quando fechássemos a praça ao trânsito, e o contrário aconteceu. A renda do varejo duplicou em três anos, a frequência triplicou, e os pedestres, quando podem circular em paz, acabam gastando mais ali”, explica.

“O espaço para carros e pedestres estava distribuído de forma desigual, havia 70 pedestres para cada dez carros.”

Depois dessa experiência, ela acabou fechando pistas ao lado da Madison Avenue e da Herald Square e transformando parte da Broadway em um semicalçadão. Mais de 50 pracinhas como essa foram criadas em quatro anos.

“Tudo foi feito de forma simples, com mesas e cadeiras baratas. Se desse certo, faríamos algo de longo prazo, com design melhor”, conta, dizendo que as obras definitivas para a nova Times Square começam no final do ano, com projeto dos arquitetos do escritório norueguês Snohetta.

Os críticos da secretária, entretanto, a acusam de impor esses “testes” como algo permanente. “Mudar um banco de praça na cidade pode levar anos de burocracia. Por isso, fazemos algo mais simples, de forma direta, para medir o resultado”, rebate. Continuar lendo

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O paparazzo mais famoso do mundo

Já contei aqui histórias do fotógrafo Ron Galella, o paparazzo mais famoso do mundo, cujas perseguições a Jackie Kennedy pelas ruas de Manhattan ficaram famosas. É de Galella, aliás, a foto clássica dela atravessando a Quinta Avenida.

Marlon Brando também não suportava o fotógrafo. Encurralado numa rua do SoHo, o ator não quis conversa: deu um soco na cara de Galella, arrancando-lhe cinco dentes.

Ron Galella não se intimidou: quando encontrou Brando de novo, estava usando um capacete de futebol americano para proteger-se das pancadas.

Ano passado o Museu de Arte Metropolitano de Nova York homenageou os 80 anos do fotógrafo com uma exposição reunindo centenas de imagens de estrelas de Hollywood.

Seguindo a mesma trilha a HBO exibiu recentemente o documentário “Destrua sua Câmera” sobre a vida atribulada de Galella. Confiram o trailer:

http://youtu.be/3ppEFBHidVY

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Na estrada com Jack Kerouac

Boa parte dos leitores deste blogue que já leram “On The Road” (Pé na estrada), de Jack Kerouac, conhece a história. Não custa repeti-la.

O rolo de telex usado pelo escritor para datilografar o livro tinha 36 m de comprimento e 22 cm de largura. Kerouac se orgulhava de dizer que, desenrolando o manuscrito, ele se parecia com uma estrada.

Em maio de 2001, o rolo foi comprado por 2,5 milhões de dólares por um americano milionário dono de um time de futebol, o Indianapolis Colts.

Quando estive em Nova York, nos anos 90, visitei o bar White Horse (567 Hudson Street), no Village, onde ele ia frequentemente encher a cara. Pena que estava fechado para uma pequena reforma.

Abaixo, uma entrevista de Jack Kerouac a William F. Buckley Jr.

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MEU CARO, JOÃO

Como amigo de João Gilberto, o jornalista e musicólogo Zuza Homem de Mello acompanhou o lançamento do álbum “Amoroso”, em Nova York, na primavera de 1977.

Na BRAVO! que chegou aos leitores este fim de semana, ele conta histórias dos bastidores da gravação do clássico disco. Segue trecho:

ZUZA HOMEM DE MELLO

Assim que cheguei a Nova York, em março de 1977, tratei de ligar para o hotel onde João Gilberto se hospedava à época do lançamento de seu novo disco Amoroso. Nem passou por minha cabeça entrevistar o ídolo que conhecia pessoalmente fazia uns dez anos. Queria mesmo era estar com João, bater papo, jogar conversa fora.

Ouvir, quem sabe, o som inatingível do canto de João com o violão de João. Tinha ele terminado de gravar o novo disco e devia estar excitadíssimo para contar detalhes. O arranjador era o alemão Claus Ogerman, que já havia orquestrado os temas instrumentais de Antonio Carlos Jobim em The Composer of Desafinado.

Agora, sete anos depois de um disco relativamente pouco divulgado – gravado no México com o arranjo de Oscar Castro Neves –, João voltava a cantar com orquestra. Como em seus três primeiros discos brasileiros.

Nessa época, a agenda de João Gilberto estava a cargo de Helen Keane – que, por 18 anos, foi agente do pianista de jazz Bill Evans. Aproveitando o disco Amoroso, Helen estava bastante empenhada em montar uma excursão de João Gilberto à Europa.

Em seu escritório, contou-me que não conseguia combinar os voos programados com a agenda dos espetáculos e me pediu para ajudá-la, temendo que a turnê não se realizasse – o que, infelizmente, acabou acontecendo. João queria fazer um trajeto complexo, e nos anos 1970 havia muito menos disponibilidade de voos do que hoje.

Montar uma temporada de João Gilberto já era tarefa que exigia paciência e tremendo jogo de cintura. Os que conseguiram podem se gabar de terem realizado o que seria a quintessência da música do nosso tempo: um recital de João Gilberto.

Cheguei ao modesto hotelzinho, no East Side, onde João ocupava um apartamento sem nenhum luxo. “Que bom que você chegou”, disse aliviado tão logo entrei, “estava desesperado para pedir uma pizza, mas não sabia como fazer”.

Entre idas e vindas, João teria passado uns nove anos vivendo nos Estados Unidos, mas não ligava a mínima por não falar a língua dos norte-americanos. Foram várias as tardes musicais que tive naqueles dias em Nova York, há mais de 30 anos.

Nessas tardes privilegiadas, João me falava dos músicos de São Paulo de quem guardava lembranças carinhosas e, com muita saudade, do Brasil, para onde tanto desejav

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A VIDA NA CIDADE É EXCITANTE

Sou tão apaixonado pela vida urbana que raramente saio do meu bairro. Moro em Ponta Negra porque aqui tem tudo que aprecio: bares, restaurantes, cinemas, livrarias, mulheres bonitas e o ambiente é cosmopolita, impossível no restante da cidade.

E a vida aqui não para. Já morei no Centro quando o Centro era o centro de tudo.

Reitero, nada se compara a viver numa cidade por isso fico excitado quando escuto falar de Paris, Nova York, Budapeste, Amsterdam e Rio de Janeiro. A vida nesses lugares é excitante.

Este, aliás, é o tema do artigo de Ruy Castro na “Folha” desta sexta-feira.  Confiram:

Uma loja de discos que fecha suas portas no Rio, um cinema que faz o mesmo em São Paulo e sabe-se lá quantas livrarias brasileiras, principalmente as de pequeno porte, não estão correndo igual risco neste momento. Os espaços de convivência adulta e civilizada diminuem. Se podemos “baixar” discos, ver filmes no vídeo ou comprar livros pela internet, para que sair de casa, enfrentar o trânsito, lutar pelo estacionamento e roçar cotovelos com outros, ora veja, seres humanos?

O avanço da tecnologia parece nos conduzir à independência, à liberdade e à autossuficiência. Dito assim é bonito. Já não o será tanto se convertermos a frase à sua verdadeira essência -a de que tal avanço está nos condenando ao individualismo, ao egoísmo e à solidão. E não sei também se esse comodismo não denotará uma certa dose de covardia em relação à vida.

Você dirá que as cidades ficaram hostis, inseguras, impróprias para uso humano, e que bom que a tecnologia nos permite certos confortos. Eu diria que exatamente por isto deveríamos lutar pelas cidades -por cada cidadela de delicadeza que elas ainda comportem.

Um cinema que fecha é uma calçada, um pipoqueiro e uma fila a menos numa cidade. É mais um quarteirão sem luzes, sem movimento noturno e sem possibilidade de encontros, amigáveis ou amorosos. É um lugar a menos para flanar, para fazer hora, até para paquerar. E é também um cenário a menos para que os jovens descubram e troquem ideias sobre cultura, história, comportamento.

Não acho que os cinemas devam continuar abertos mesmo que às moscas. O que lamento é a perda dos ditos espaços de convivência nas cidades. Para cada cinema, loja de discos ou pequena livraria que sai de cena, um supermercado, banco ou farmácia toma o seu lugar, ocupa-o agressivamente e nos embrutece um pouco mais.

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