Não quero ser repetitivo e rasgar seda para o uso da bicicleta que considero um ótimo meio de transporte, tanto faz se no Rio, Paris ou em Dakar. Não, não vou chatear vocês, prometo. Acho melhor ir direto ao ponto e reproduzir aqui o artigo do jornalista Kiko Nogueira sobre o tema que considero apaixonante.
Nogueira foi, entre outras coisas, editor da “Veja São Paulo”, diretor de redação da “Viagem e Turismo”, do “Guia Quatro Rodas” e criador e diretor de redação da “Revista Alfa”. Segue o texto na íntegra:
Por Kiko Nogueira
O debate sobre o uso da bicicleta tomou um rumo surreal no Brasil. Se você gosta, é de esquerda. Se não, é de direita. Os militantes mais fánaticos de ambos os lados são, como era de se esperar, preconceituosos e intolerantes. No limite, você não pode apenas passear de bike: você tem de tomar uma posição. Uma “matéria” recente no Diário Oficial do Estado de São Paulo não recomendava o uso de bicicletas porque os acidentes causariam prejuízos de milhões aos cofres públicos. É como sugerir que a melhor maneira de não ser assaltado é ficar em casa. Para o governo, que deveria cuidar da sua segurança, é sem dúvida a alternativa mais cômoda e mais malandra.
A discussão é enfadonha. Ok. Existe uma questão de urbanismo, de sustentabilidade (ui), de uma opção de vida, até. Mas, ao fim e ao cabo, uma bicicleta é apenas uma bicicleta. É um meio de transporte mais limpo, que ocupa menos espaço, que obriga você a se mexer – mas é apenas um veículo de transporte, não um símbolo. E é, fundamentalmente, boa.
Mas em Paris é melhor. Ali estão as vélibs. Se você não as conhece, é o seguinte: 20 mil magrelas de aluguel em 1 800 estações separadas por uma distância de 300 metros, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. Você pode pagar por um dia, uma semana ou por períodos mais longos. Embarca no Arco do Triunfo, digamos, e devolve no Marais. Chavinhas engenhosas presas a cabos de aço protegem dos gatunos. Qualquer queda eventual é menos humilhante do que ser expulso de um táxi porque se esqueceu de dar bom dia para o motorista (ou falou baixo demais e ele não ouviu). Continuar lendo

