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A VIDA NA CIDADE É EXCITANTE

Sou tão apaixonado pela vida urbana que raramente saio do meu bairro. Moro em Ponta Negra porque aqui tem tudo que aprecio: bares, restaurantes, cinemas, livrarias, mulheres bonitas e o ambiente é cosmopolita, impossível no restante da cidade.

E a vida aqui não para. Já morei no Centro quando o Centro era o centro de tudo.

Reitero, nada se compara a viver numa cidade por isso fico excitado quando escuto falar de Paris, Nova York, Budapeste, Amsterdam e Rio de Janeiro. A vida nesses lugares é excitante.

Este, aliás, é o tema do artigo de Ruy Castro na “Folha” desta sexta-feira.  Confiram:

Uma loja de discos que fecha suas portas no Rio, um cinema que faz o mesmo em São Paulo e sabe-se lá quantas livrarias brasileiras, principalmente as de pequeno porte, não estão correndo igual risco neste momento. Os espaços de convivência adulta e civilizada diminuem. Se podemos “baixar” discos, ver filmes no vídeo ou comprar livros pela internet, para que sair de casa, enfrentar o trânsito, lutar pelo estacionamento e roçar cotovelos com outros, ora veja, seres humanos?

O avanço da tecnologia parece nos conduzir à independência, à liberdade e à autossuficiência. Dito assim é bonito. Já não o será tanto se convertermos a frase à sua verdadeira essência -a de que tal avanço está nos condenando ao individualismo, ao egoísmo e à solidão. E não sei também se esse comodismo não denotará uma certa dose de covardia em relação à vida.

Você dirá que as cidades ficaram hostis, inseguras, impróprias para uso humano, e que bom que a tecnologia nos permite certos confortos. Eu diria que exatamente por isto deveríamos lutar pelas cidades -por cada cidadela de delicadeza que elas ainda comportem.

Um cinema que fecha é uma calçada, um pipoqueiro e uma fila a menos numa cidade. É mais um quarteirão sem luzes, sem movimento noturno e sem possibilidade de encontros, amigáveis ou amorosos. É um lugar a menos para flanar, para fazer hora, até para paquerar. E é também um cenário a menos para que os jovens descubram e troquem ideias sobre cultura, história, comportamento.

Não acho que os cinemas devam continuar abertos mesmo que às moscas. O que lamento é a perda dos ditos espaços de convivência nas cidades. Para cada cinema, loja de discos ou pequena livraria que sai de cena, um supermercado, banco ou farmácia toma o seu lugar, ocupa-o agressivamente e nos embrutece um pouco mais.

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UMA GRANDE PRIVADA PÚBLICA

O esporte preferido do natalense tem sido urinar e defecar na rua.

Basta circular em algumas regiões da cidade para o leitor entender o que estou dizendo.

Ponta Negra é um caso emblemático.

Ali, no trecho que vai do Taverna Pub ao Balacobaco, por exemplo, o mau cheiro é insuportável.

O bairro cantado em prosa e verso pela sua beleza e qualidade de vida, vai aos poucos se transformando numa grande privada.

Viva a barbárie!

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