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Se eu tenho medo de envelhecer? Não faço outra coisa desde que nasci

Ruy Castro

Do iG:

Ele é um legítimo “baby boomer”, nascido em 1948 e no auge da juventude durante uma das épocas mais animadas do Rio de Janeiro. Adora filmes antigos, coleciona vinis e tem estantes cheias de livros. Não usa celular, muito menos Twitter e Facebook. Venceu um câncer, um enfarte e, no passado, uma encefalite cerebral. Não fuma desde 2005 e há 25 anos abandonou o álcool, trocando duas garrafas de uísque diárias por três bolas de sorvete.

Aos 65 anos, Ruy Castro está acostumado a biografar personalidade como Mané Garrincha, Carmen Miranda e Nelson Rodrigues. Mas em “Morrer de Prazer” , livro recém-lançado pela editora Foz, é ele mesmo quem serve de ponto de partida para uma série de reflexões sobre o cotidiano.

A reunião de crônicas não chega a ser uma autobiografia e o tom pessoal já era utilizado em textos publicados no jornal “Folha de S.Paulo”. Mas “Morrer de Prazer” traça uma espécie de fio condutor entre textos de diferentes temas – cinema, comida, tecnologia, passagem do tempo -, formando um retrato mais bem definido do escritor.

Com franqueza, Castro fala de temas difíceis, como as lutas contra o alcoolismo e um câncer na boca, e reflete sobre os pequenos prazeres de estar vivo e a dificuldade de abandonar aqueles que nos fazem mal, de fumar a comer ovo (este já absolvido por alguns médicos e cientistas). A identificação é quase imediata no leitor, que conhece a sensação de pular a sobremesa ou resistir à empadinha, trocando a satisfação imediata pela promessa de bem-estar a longo prazo.

É, em uma definição breve, o livro perfeito para ler no ônibus ou no metrô: uma série de textos bem escritos que cabem no intervalo entre os pontos e estações. E não há crítica neste comentário – aliás, o próprio Ruy Castro provavelmente adoraria ver passageiros trocando o celular por um livro a caminho do trabalho.

“Acho desumano que as pessoas não consigam mais comer, namorar, ler, ir à praia ou caminhar na orla sem ficar olhando para aquele aparelhinho”, afirmou, em entrevista por email ao iG .

Apesar do apego aos hábitos e à produção cultural do passado, Castro considera injusta a comum associação de seu nome à nostalgia. “Muito do passado de que falo – anos 1920, 1930, mesmo 1940 – só conheci de ouvir e ler a respeito, não era nem nascido. Como posso ter nostalgia por ele?”, perguntou. “O que as pessoas chamam de nostalgia, eu chamo de cultura.”

Na entrevista a seguir, o escritor fala sobre como encara o envelhecimento e a morte, opina sobre o futuro do jornalismo e lista as paixões do presente. “Prazeres é que não faltam.”

iG: O livro expõe várias de suas paixões, tanto as da juventude (namorar na praia, encontrar os amigos) como as de sempre (cinema, empadinha). Quais são seus principais prazeres hoje?
Ruy Castro: Por incrível que pareça, os mesmos, só que traduzidos para novas realidades. O cinema, por exemplo, ainda é toda noite, mas no DVD, e só com filmes de 1970 para trás. A empadinha depende se estou ou não de dieta – no momento, estou. E namorar na praia ficou mais confortável – porque moro de frente para uma e, aconteça o que acontecer, estarei “na praia”. Mas prazeres é que não faltam: andar a pé pelo Rio, frequentar sebos, reler “Memórias de um Sargento de Milícias”, observar meus gatos, colecionar LPs, chutar tampinhas na rua etc.

iG: Como solucionar o dilema entre recusar os prazeres que fazem mal – comer muito, fumar, beber – para tentar viver mais ou se entregar a eles para que os anos de vida restante sejam mais gostosos?
Castro: Aproveitar ao máximo esses prazeres enquanto podemos nos entregar a eles impunemente – e, depois, tentar encontrar prazer na privação dos ditos.

iG: Da produção mais recente de cinema, música e literatura, do que você gosta (se é que gosta)?
Castro: Não vou ao cinema há anos e não me interesso por nenhum dos atores ou diretores atuais – os filmes ficaram muito barulhentos, a violência é infantil, a enxurrada de efeitos especiais é monótona e pessoas comendo pipoca ao meu lado me incomodam. Quanto à música, ainda fazem? E continuo um ávido leitor de biografias e livros de história – para mim, a melhor biografia brasileira dos últimos anos é “Marighella” , do Mario Magalhães. Continuar lendo

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A arte de dizer a verdade, mentindo

Chaplin

Ruy Castro lembra episódios curiosos da vida de Chaplin na Folha. O escritor e jornalista conta que certa vez, numa festa, o artista cantou uma ária de ópera para espanto dos convidados.

“Não sabíamos que cantava tão bem, sr. Chaplin!”. “Mas não sei cantar”, ele respondeu. “Estava apenas imitando Caruso.”

Segue o texto cujo titulo é “Licença para mentir”:

RIO DE JANEIRO – Os leitores de “Cinearte” ou “A Scena Muda” devem ter lido na época. Nos anos 1920, Charles Chaplin, no auge, foi a uma festa em Monte Carlo em que os convidados tinham de se fantasiar de… Carlitos. As caracterizações mais fiéis ganhariam prêmios. Segundo Arthur Koestler, em cujo livro “The Act of Creation” fiquei sabendo disso, Chaplin, usando a roupa e a maquiagem de Carlitos, pegou o, adivinhe, terceiro lugar.

Carlos Heitor Cony, em seu magnífico livro “Chaplin”, recém-lançado, conta a mesma história, mas diz que ele ficou em 18º lugar. Não sei em que documentos em copta ou servo-croata Cony se baseou para quase condenar Chaplin à repescagem, mas com ele é assim. Suas fontes são tão inesperadas que não estranharei se uma autoridade em Chaplin, como o inglês Kevin Brownlow, vier a público e confirmar a versão de Cony.

Brownlow é o responsável pela nova edição restaurada de uma das obras-primas de Chaplin, “Em Busca do Ouro”, em DVD pela Criterion Collection (US$ 14,99, pela Amazon). Contém a versão original muda do filme, de 1925, diferente da sonorizada e narrada por Chaplin em 1942, que era a que sempre assistimos e amamos. A “nova” versão muda é muito mais delicada, e os extras do DVD revelam que a sequência em que Carlitos caminha por aquele penhasco gelado, seguido por um urso, era um efeito especial –ou seja, ele nunca correu o risco de cair no abismo.

O gênio de Chaplin não tinha lugar nem hora. Em outra festa, ou quem sabe a mesma, e para surpresa geral, ele se levantou e cantou uma ária de ópera, com notável voz de tenor. Os convidados foram cumprimentá-lo: “Não sabíamos que cantava tão bem, sr. Chaplin!”. “Mas não sei cantar”, ele respondeu. “Estava apenas imitando Caruso.”

Ao contrário dos políticos, o artista pode e deve mentir –para ser fiel à verdade.

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Confesso que bebi…

Ruy Castro relata seu tormento no dia em que decidiu parar de beber. Isso há exatos 25 anos. “Enfim, foi hoje, há 25 anos. Mas hoje é apenas mais um dia”, escreve Castro.

De arrepiar. Segue o texto abaixo:

RIO DE JANEIRO – Foi num dia 25 de janeiro, como hoje. Enquanto Alice tirava o carro, abri a geladeira e, tremendo muito, servi-me de quatro copos de vodca –pura, gelada, do freezer. Copos, não doses. Cheios, cada qual tomado de um gole, e que, como sempre, desceram como água. O tremor nas mãos não traía nervosismo. Tremia porque acabara de acordar e estava sem beber havia horas. Ainda não descobrira como beber dormindo.

Acordado, bebia um mínimo de dois litros de vodca por dia, só em casa –o consumo na rua era difícil de calcular. Uma vez por semana, a empregada botava os cadáveres para fora, à espera do garrafeiro. Os vizinhos deviam achar que os moradores daquela casa bebiam muito. Se soubessem que um único morador engolia aquilo tudo, não acreditariam.

Dali a pouco, estávamos na rodovia Raposo Tavares, rumo a Cotia, a 31 km de São Paulo, onde eu então morava. Sabia que, no lugar para onde Alice me levava –uma clínica para dependentes químicos–, não haveria bebida. Os quatro copos teriam de bastar até o fim do dia. Mas, e o dia seguinte? E os 30 dias seguintes? Não tinha ideia, nem me preocupava. Afinal, não vivia dizendo que “bebia porque gostava” e “seria capaz de parar quando quisesse”?

Os primeiros cinco dias foram de horror –o organismo reagindo ao corte súbito do suprimento com tremores pelo corpo inteiro, agitação, insônia, diarreia, taquicardia, suores, possibilidade de delírio. Nas palestras, as vozes dos terapeutas soavam muito longe e o que eles diziam, um mistério. Os colegas de internação, fantasmas sem rosto. Mas, aos poucos, o horror passou e, em menos de duas semanas, foi sendo substituído por uma sensação quase insuportável de lucidez, vigor físico e vontade de viver –como nunca antes. Até hoje.

Enfim, foi hoje, há 25 anos. Mas hoje é apenas mais um dia.

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A língua é minha pátria

Um texto saboroso de Ruy Castro sobre a língua portuguesa para celebrar a semana da independência e o feriado que se aproxima. Segue na íntegra:

RUY CASTRO

Numa próxima ida a São Paulo, vou voltar ao Museu da Língua Portuguesa. Acabo de saber (“Ilustrada”, ontem) que os textos de seu espaço expositivo ainda estão na velha ortografia -ou seja, na língua como a conhecíamos, antes do “acordo” assinado em 2008 por parte dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (leia-se o Brasil). Preciso fazer isto antes de 31 de dezembro, quando a nova ortografia será obrigatória, e o trema, por exemplo, irá se juntar aos extintos mamutes, pterodáctilos e leitores de Pearl S. Buck.

Lá, terei o prazer de ler palavras como “pingüim”, “lingüista” ou “desmilingüido”, com o velho trema. Penso até em lê-las em voz alta, se ninguém estiver olhando, e lambendo cada trema como Chicabon-antes que sejam reduzidas a “pinguim”, “linguista” e “desmilinguido” e assim comecem a ser ditas pelos jovens que não sabem como elas soavam. Aliás, passei pelo problema outro dia nesta coluna, quando reproduzi o trecho da letra do samba “O Pato”, que diz “O pato/ Vinha cantando alegremente/ Quem-quem”.

Escrevi, como sói, “qüem-qüem”, mesmo sabendo que meus tremas não chegariam vivos ao jornal impresso, e que a única pessoa que leria “quem-quem” como “qüem-qüem” seria o professor Evanildo Bechara, um dos autores da reforma. Quando a coluna saiu, submeti-a a alguns jovens pouco versados em bossa nova. Todos pronunciaram “quem-quem”. E se, um dia, Evanildo for chamado de “linguista”, e não “lingüista”? Continuar lendo

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VÍCIOS E VIRTUDES

Não há como deixar de ler Ruy Castro cujos textos são sempre impagáveis como este sobre o hábito de fumar. Confiram:

O cartaz do filme “Gainsbourg – Vie héroïque”, sobre o cantor e compositor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), não poderá ser exposto no metrô de Paris. Motivo: o protagonista aparece com um cigarro entre os dedos e o rosto em meio a uma nuvem de fumaça. Se exibisse o cartaz, o Metrô seria multado em 100 mil, por “incitação ao consumo de tabaco”.

Deve ser difícil mostrar Gainsbourg sem um cigarro na mão ou longe de uma nuvem de fumaça. Fumar era sua principal atividade, exceto -talvez- quando estava fazendo amor com Brigitte Bardot, Jane Birkin, Catherine Deneuve, Isabelle Adjani e outras. As mulheres gostavam dele, pouco se importando se fumava ou não.

Se a moda pega, os franceses terão de expurgar grandes expoentes de sua cultura moderna. O poeta Jacques Prévert, por exemplo, nunca foi fotografado sem um Gitane ou um Gauloise na boca. Jean-Paul Sartre e Albert Camus idem. E, como eles, os atores Jean Gabin, Michelle Morgan, Charles Boyer, Yves Montand, Simone Signoret , Jeanne Moreau, Jean-Paul Belmondo. O cineasta Jean-Luc Godard. Os cantores Serge Reggiani, Jacques Brel, Charles Aznavour.

Há meses, o metrô de Paris já havia alterado eletronicamente o clássico cartaz de “Meu Tio”, o filme de Jacques Tati, removendo o cachimbinho de M. Hulot, seu personagem. Prevê-se que, no futuro, outros personagens também serão “corrigidos”: o aventureiro Arsène Lupin perderá sua piteira; o inspetor Maigret, o cachimbo; o capitão Haddock, de “Tintin”, também.

A França faz bem em proibir o fumo ao vivo em seus ambientes internos -poucos países fumaram tanto no século 20. Mas a boba tentativa de apagar o cigarro de seu passado não faz jus a um povo de que não se sabe o que mais admirar, se os vícios ou as virtudes.

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É OBAMA

O jornalista Ruy Castro é um craque em qualquer posição. Veja que beleza esse texto sobre Barack Obama e John McCain na “Folha” desta segunda-feira.

Correndo o risco de cair em “rigor mortis” e nunca mais voltar, assisti outro dia ao debate entre os candidatos à Presidência dos EUA, Barack Obama e John McCain. Nos poucos instantes em que recobrei a consciência, convenci-me de que política é jogo de cena, coreografia, expressão corporal, e o resto é literatura.

O formato do debate, com os candidatos podendo circular pelo palco, favoreceu Obama. Ele desliza pelo cenário com uma graça e leveza que, no passado, pareciam exclusividade de Sidney Poitier ou Harry Belafonte. Usa bem os braços, criando um campo ao seu redor, como se se apossasse daquele espaço. O microfone parece sumir de vista e ele sabe explorar sua voz clara e grave. O que diz não tem tanta importância.

Já McCain tem os bracinhos curtos e empunha o microfone como se este fosse uma banana ou uma cenoura. As pernas também são curtas e, às vezes, ele parece trôpego. A voz ganhou um véu rouco, que ele certamente não tinha em 1956, quando dizia coisas ao ouvido de sua namorada brasileira. Sua ficha médica tem 1.500 páginas, incluindo uma suspeita de câncer de pele e uma inexplicável bochecha inchada. Teme-se que morra em meio ao mandato -mas, por outros motivos, Obama também não está livre desse risco.

Confesso que McCain me enterneceu ao se dirigir meigamente às pessoas do auditório como “meus amigos”. É o de que ele precisa -fazer amigos-, se quiser influenciar pessoas e apagar sua ligação com o governo George W. Bush, o mais detestado da história dos EUA.

McCain tem 72 anos; Obama, 47. Por mais que digam o contrário, isso faz diferença. Principalmente quando se trata de desempenhar uma das principais atividades dos presidentes americanos: acenar do alto da escadinha do avião. 

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RIO, EU GOSTO DE VOCÊ

Ele nasceu em Caratinga, mas é carioca da gema.

Morador do Leblon, Ruy Castro é como este escriba amante incondicional do Rio.

Tornou-se um biógrafo da cidade, exatamente como foi de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda. “Guimarães Rosa fez sua obra em cima do sertão mineiro”, diz ele. “Por que um autor não pode concentrar seu foco no Rio?”

A “Veja Rio”  que chegou às bancas neste sábado traz um ótimo perfil do escritor.

Confira.

O texto é de Sergio Garcia.

Numa das inúmeras expedições turístico-afetivas que costuma fazer pelo Centro, o jornalista e escritor Ruy Castro foi parar no Largo de São Francisco e sentiu o característico odor de urina que, infelizmente, empesteia o local. Qualquer um reclamaria contra os porcalhões e o descaso do poder público. Ele não. “Aquele cheiro faz parte da cidade”, releva, compreensivo.

Ruy, como normalmente é chamado, tem um caso de amor com o Rio de Janeiro. Seu mais recente livro, o 22º, destaca como personagens fundamentais vielas, morros e praças cariocas no começo do século XIX. Era no Tempo do Rei – Um Romance da Chegada da Corte é o segundo em que ele parte de personagens e fatos reais, inventa outros tantos e dá molde a uma ficção repleta de elementos históricos.

Neste juntou o molecote dom Pedro, recém-desembarcado de Lisboa, a Leonardo, o traquinas criado por Manuel Antônio de Almeida em Memórias de um Sargento de Milícias. O futuro imperador introduz o amigo na vida da nobreza e Leonardo, por sua vez, apresenta a Pedro a alma encantadora das ruas, num saboroso thriller que tem como cenário o Rio antigo.
Para descrever lugares e detalhar histórias de 200 anos atrás, Ruy fez o que mais gosta: afogar-se em pesquisa. Pouco saiu de casa. Seu apartamento de três quartos, escancarado para a Praia do Leblon, é apinhado de livros, LPs, CDs, vídeos e DVDs (só com filmes até os anos 70).

São oito estantes com mais de 4 000 publicações sobre cinema, música, literatura e história do Rio. Tornou-se um biógrafo da cidade, exatamente como foi de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda. “Guimarães Rosa fez sua obra em cima do sertão mineiro”, diz ele. “Por que um autor não pode concentrar seu foco no Rio?” Mineiro, por pouco não nasceu aqui. De 1929 a 1947 seus pais tiveram uma pensão em um sobrado na Lapa.

O negócio começou a dar para trás e o casal mudou-se para Caratinga (MG), onde o pai, xará do filho, foi trabalhar no comércio. “Viajei na barriga da minha mãe”, conta Ruy, que nasceu em 1948 e, na infância, passou a vir regularmente para visitar os tios, ver jogos do Flamengo ou bater perna. Aprendeu a juntar sílabas e frases no colo da mãe, leitora assídua da coluna A Vida como Ela É, de Nelson Rodrigues.

Ganhou aos 5 anos seu primeiro livro, Alice no País das Maravilhas, e antes de completar 10 tinha uma quantidade de publicações infanto-juvenis e de quadrinhos grande o bastante para seu pai construir a primeira das muitas estantes que viriam ao longo da vida. “Defini ainda criança que queria ser jornalista e trabalhar no Correio da Manhã, jornal que meu pai e meu avô liam”, lembra.
Em 1965, na cara-de-pau, ligou para o crítico de cinema e editorialista José Lino Grünewald, uma das estrelas desse diário carioca que deixaria de circular nove anos mais tarde. Conseguiu ser contratado, mas não para a área com que sonhava: “Achava que iria pontificar sobre os filmes franceses da nouvelle vague e a bossa nova, e de repente tive de entrevistar o cachorro atropelado ou o filhote da girafa que nasceu no zoológico”.

Dividia o tempo entre o jornal, no qual aos poucos migrou para a área de cultura, e o estudo de ciências sociais na UFRJ. No primeiro dia de aula, viu que não tinha a menor afinidade com o curso. “Certamente fui o pior aluno que passou pela faculdade”, diz, com humor.

Casou-se com uma colega de turma, a socióloga Maria do Carmo Guido, mãe de suas duas filhas, Pilar e Bianca. De 1972 a 1975, editava textos na revista Seleções, em Lisboa. “O Brasil estava muito chato”, afirma. Voltou ao Rio e em 1978 mudou-se para São Paulo, onde trabalhou na Editora Abril e na Folha de S.Paulo. Só retornou de vez ao Rio quinze anos depois. Entre idas e vindas na ponte aérea, calcula já ter voado 700 vezes.

Para ler na íntegra o texto clique aqui.

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