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TCU DESMONTA TESE DO MENSALÃO

O Tribunal de Contas da União reconheceu a legalidade dos contratos de publicidade firmados pelo Banco do Brasil com as agências DNA e SMPB, do empresário Marcos Valério de Souza.

O que isso significa? Que a tese de que os recursos do mensalão vinham das bonificações de volume pagas às agências de publicidade não faz sentido.

A propósito, o jornalista Ricardo Kotscho estranha o comportamento da velha mídia que dedica páginas e mais páginas ao “mensalão do PT” enquanto ignora solenemente o “mensalão tucano”. Por quê?

Segue na íntegra:

Começa no próximo dia 2 de agosto, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento do chamado “mensalão do PT”. Muito justo: afinal, o caso já se arrasta desde de 2005 e nós estamos em 2012. Estava na hora.

Por falar nisso, pergunto: e quando vai ser julgado o “mensalão tucano”, rebatizado pela grande imprensa de “mensalão mineiro”, que é bem mais antigo e vem se arrastando desde 1998?

Para se ter notícias do “mensalão do PT”, basta abrir qualquer jornal ou revista, ligar o rádio ou a televisão, está tudo lá diariamente, contado em caudalosas reportagens nos mínimos detalhes, comprovados ou não.

Já o “mensalão tucano” foi simplesmente escondido pela mídia reunida no Instituto Millenium, que não quer nem ouvir falar no assunto. Quem quiser saber a quantas anda o processo que dormita no Supremo Tribunal Federal precisa acessar aquilo que o tucano José Serra chama de “blogs sujos”.

Foi o que eu fiz ao entrar no Google, que registra 508 mil citações sobre o “mensalão tucano”, a grande maioria publicada em blogs, enquanto o “mensalão do PT”, embora mais recente, já alcance 3.720.000 matérias publicadas.

Sob o título “Mensalão tucano e silêncio da mídia”, o blog de Altamiro Borges tratou do asunto no último dia 10 de junho:

“Na quarta-feira passada (6), finalmente o Supremo Tribunal Federal decidiu incluir na pauta o debate sobre o “mensalão tucano”, o esquema utilizado patra alimentar a campanha pela reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em 1998. A mídia, porém, não deu qualquer destaque ao assunto. Algumas notinhas informaram apenas que o “mensalão mineiro” também será julgado em breve _ a imprensa demotucana evita, por razões óbvias, falar em mensalão tucano”.

Quer dizer, 14 anos depois, o STF decidiu colocar na pauta e vai começar a debater o “mensalão tucano”. Nem se pensa ainda em marcar uma data para o julgamento, ao contrário do que aconteceu com o “mensalão do PT”, que virou um caso de vida ou morte para a mídia e precisa porque precisa ser julgado _ e todo mundo condenado _ antes das eleições de outubro. Altamiro explica:

“O caso é bastante emblemático. Ele serve para comprovar a seletividade da chamada grande imprensa. O escândalo surgiu bem antes das denúncias contra o PT. A própria Procuradoria-Geral da República, ao encaminhar o caso ao STF, em novembro de 2007, afirmou que o esquema foi “a origem e o laboratório” do mensalão do PT. Ele teria sido armado pelo mesmo publicitário Marcos Valério, que montou o famoso “valerioduto” para financiar campanhas eleitorais com recursos públicos e doações de empresas privadas”.

Muitos anos antes, em 2 de outubro de 2007, meu velho amigo Carlos Brickmann, jornalista dos bons que pode ser acusado de tudo, menos de ser petista, já tinha tocado no mesmo assunto em sua coluna “Circo da Notícia”, publicada no Observatório da Imprensa. Sob o título “Quando a polícia abre o baú da imprensa”, Brickmann escreveu:

“Que o mensalão começou em Minas Gerais, até os fios de cabelo de Marcos Valério sabiam. A primeira investida do esquema beneficiou o governador tucano Eduardo Azeredo, candidato à reeleição (perdeu para Itamar Franco). A imprensa até que deu a notícia, embora discretamente. E esqueceu o assunto”.

(…) “Pois é: há asuntos que entram na moda, há assuntos que não há força humana capaz de colocá-los na mídia. Tudo bem, vai ver que o mundo é assim. Mas precisava transformar o mensalão tucano, na imprensa, em mensalão mineiro?”

Dias atrás, o Blog do Mello resgatou trecho de uma entrevista com Eduardo Azeredo publicada pela “Folha” em 2007 na qual podem estar os motivos para esta preferência da mídia tratar furiosamente do “mensalão do PT” e deixar de lado o chamado “mensalão mineiro”:

Folha _ A Polícia Federal diz que houve caixa dois na sua campanha…

Eduardo Azeredo _ Tivemos problemas na prestação de contas da campanha, que não era só minha, mas de partidos coligados, que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República.

Folha _ O dinheiro da sua campanha financiou a de FHC em Minas?

Azeredo _ Sim, parte dos custos foram bancados pela minha campanha. Fernando Henrique não foi a Minas na campanha por causa do Itamar Franco, que era meu adversário, mas tinha comitês bancados pela minha campanha.

Fundador do PSDB e presidente do partido quando o escândalo estourou, Eduardo Azeredo conseguiu desta forma o apoio irrestrito dos tucanos de bico grande que cuidaram de tirar o assunto da mídia.

A acusação central de que o PT usou dinheiro público para comprar o voto de parlamentares no Congresso foi derrubada pelo Tribunal de Contas da União, como informou Marta Salomon, em nota publicada no portal Estadão.com, às 22h15 desta quinta-feira:

“O Tribunal de Contas da União considerou regular o contrato milionário da empresa de publicidade DNA, de Marcos Valério Fernandes de Souza, com o Banco do Brasil. O contrato é uma das bases da acusação da Procuradoria-Geral da República contra o empresário mineiro no julgamento do mensalão, marcado para agosto”. Mais adiante, a matéria lembra:

“De acordo com a Procuradoria-Geral da República, contratos das agências de publicidade de Marcos Valério com os orgãos públicos e estatais serviam de garantia e fonte de recursos para financiar o esquema de pagamentos a políticos aliados do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Não encontrei esta notícia na edição impressa da “Folha” de hoje, que publica matéria sobre a defesa apresentada por Delúbio Soares, tesoureiro do PT na época: “Delúbio dirá a STF que não houve compra de deputado”.

Se e quando o STF finalmente marcar o julgamento do “mensalão tucano”, vamos ver o que Eduardo Azeredo terá a dizer e se a imprensa vai lembrar do que ele falou nesta entrevista de 2007.

Podem até querer esquecer esta história, mas o Google lembra. Está tudo lá.

18 ideias sobre “TCU DESMONTA TESE DO MENSALÃO

  1. Muito repugnante quem nega a existência do Mensalão do PT

  2. Ou seja, NÃO EXISTIU!. É tudo invenção da velha mídia, como dizem os petralhas. É o que veremos a partir do dia 02 de agosto o que dizem as provas dos autos. O resto é foquilóri.

  3. Primeiro Lulla pede desculpas pelo ocorrido. Segundo o Delúbio foi EXPULSO do partidão, depois o chefe da quadrilha foi demitido e direitos políticos para o saco. Jefferson inventou tudo. Duda Mendonça recebeu lá fora. Agora, NUNCA EXISTIU. Tenham santa paciência. É de matar de rir.

  4. Vale também lembrar o que afirmou recentemente o Jefferson:
    “ministros são meros auxiliares, uma vez que a Constituição confere apenas ao presidente, chefe do Executivo, o poder de baixar decretos e propor projetos de lei autorizando ministros a fazer pagamentos e gastos. O governo era o Lula, e não o Zé Dirceu”.
    Essa bomba ainda vai acabar explodindo no colo do doutor honoris causa!

  5. 1.O mensalão como tal – repasses iguais e habituais a parlamentares para votar com o Governo – nunca existiu. Desafio a quem quiser entrar no site do STF e mostrar no processo a prova dessa habitualidade.
    2.O do PSDB em Minas também não foi um “mensalão”. Ambos do PT e do PSDB foram caixas 2(dois),
    3.Caixa Dois é crime? Sim! E deve ser punido. E mensalão? Seria pior pois caracterizaria a tentativa de um poder de se sobrepujar a outro. Mas, nos dois casos isso não houve.
    4.Isso houve sim, ao longo da nossa história sempre que o Executivo cedia emendas aos parlamentares em vésperas de votações importantes. Mas, isso mostra mais uma vez, o caráter “impoluto” dos nossos parlamentares, que muitas vezes chantageiam mesmo sabendo que a medida ia favorecer ao povo.
    5.O maior exemplo na história recente de compra de apoio foi o da emenda da reeleição de FHC, que custou aos cofres públicos R$ 200.000,00 por parlamentar comprável, que relutava em aprovar uma emenda constitucional que favorecia ao ocupante do cargo.
    6.Só quem é mal intencionado ou desinformado pode achar que propaganda de cartão de crédito VISA etc, é parte de despesa da administração federal e que gringo vai fazer o que lhe dê prejuízo.
    7.O termo “mensalão” transformou-se num sucesso negativo graças ao contumaz trabalho de divulgação feito pela imprensa desse País, que sabe que a linguagem transmite por chaves de significado aquilo que você bater até cansar. Ou seja, “Uma mentira repetida mil vezes vale mais que mil verdades”…
    8.Esse povo, tipo alguns comentaristas que geralmente estão aqui, nunca leu nem orelha de livro, nunca leu além das manchetes bombásticas e nunca assistiu nada além de Faustão e JN e se acha no direito de ofender quem ousa discordar das pérolas repetidas por eles, sem o menor aprofundamento. São meros trolls. Ah! Faltaram o Globo Repórter e o Fantástico.
    9.Embora engendrado para derrubar o maior projeto popular, para desespero dos que mandaram neste País desde 1500, o seu veneno voltou-se contra eles mesmos: de tanto matar o povo de fome, ele agora só quer saber de quem lhe deu o que comer! Ou seja, opinião pública nem sempre é a opinião publicada e mesmo ela, tem a sua maioria silenciosa. “Os cães ladram e a caravana passa”.(provérbio árabe)
    10.E por fim, como dizia Jalles Costa, amanhã na feira do Alecrim, dona Maria e seu José estarão muito preocupados, por certo!

  6. Faço minhas as conexas e bem demarcadas palavras e frases da nossa Web-leitora Taciana.

    O seu brilhante e isento comentário colega Tarciana, bem reflete o quanto a dita elite letrada deste país, continua em seu discurso moralista/udenista, que, na verdade apenas e tão somente tenta repetir epísódios tristemente históricos, tais como: Campanha contra os dois Governos de Getúlio Dorneles Vargas, campanha contra o governo Juscelino Kubstchek, campanha contra a construçãode Brasilia, Campanha contra a posse legitma e constitucional e o Governo de João Goulart e a última e mais recente datada desde a fundação do Partido dos Trabalhadores, campanha contra ascensão do partido, campanha contra o suguimento de um potencial candidato do PT a Presidência da República e por fim campanha suja e sem tréguas contra o Governo do presidente LULA e qualquer um outro (No caso Dilma Roussef) que venha a substituilo, ou seja um tsuname diário de mentiras, leviandades, dossies, arregimentação e uso da imprensa através de quadrilhas dentro de governos estaduasi (Vide Carlos Cahoeira agregado de Marconi Perillo juntamente com a REVISTA IN-VEJA) como se vE e se denota claramente, a nossa vil, ignorante e podre elite disposta a tudo para obstaculizar-se contra o todo e qualquer projeto político popular e nacioonalista, que de fato, proprocione um mínimo de perspectivas, oportunidades e a possibildade real de um mínimo de digndade e independência ao Brasil e aos brasileiros desassistidos, ignorados e excluídos da renda e da riquesa produzidos neste país desde 1500.

    O mais são basófias, quinquilharias e eufemismos dos ingnorantes, inocentes utéis e reaciona´rios de plantão.

    Um baraço

    FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

  7. É impressionante como as pessoas, em nome da ideologia ultrapassada de esquerda, entram no faz de conta…

  8. Penso que o PT não está evoluindo com as oportunidades que ainda tem nas mãos. Todos podem errar, porém querer enganar a população não vai bem pra quem sempre pregou a licítude e por último juntar-se a Paulo Maluf e adotar medidas autoritárias dentro do próprio partido rechaçando candidaturas legítimas como as de Recife e Mossoró é DEMAIS.
    Por favor, quem for petista não queira explicar o inexplicável.

  9. Devolvo a sua expressão:É impressionante como as pessoas, em nome da ideologia ultrapassada de direita, entram no faz de conta.
    Ao ponto de não serem capazes de ler uma análise, concordar ou discordar dela, com argumentos.
    Quando não há argumentos, as ofensas chulas tais como “petralhas” vão no lugar.
    E aí então, aquele que ofende mostra cada vez mais a sua incapacidade de provar o que não tem provas, de defender os que não tem defesa.
    É só bate boca, mesmo.

  10. Brilhantes Taciana e Fransueldo, pois é, vocês parece-me que combinaram? (Tô brincando), como é bom ler comentários sérios e balizados em fatos e realidade. Pena que, os mesmo que se utilizam de expressões chulas, não têm a competência, mesmo, de, no mínimo, entender o que vocês com clareza escreveram.

    No meu entender, continuo a dizer, o Ailton é muito paciente ou faz de conta que os analfabetos, apenas, querem aparecer aos demais, pois, publica insanidades desses que não têm conhecimentos o bastante para discutir matérias sérias e, não sabem, muito menos, discutir à altura.

    Limitam-se mesmo ao Ratinho, Eliana e, outras pérolas que enobrece a cultura pessoal (deles mesmos).

    Bravos, vocês são web-leitores e opinadores que os blogs sérios esperam.

    Abraços.

  11. MAIS UMA VEZ, boa, muito boa Taciana, quem sabe um dia eles não aprendem e apreendem…!!!!

    Um baraço

    FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

  12. Taciana,

    Ao contrário do que você imagina, o Caixa 2 partidário não é crime. O caixa 2 partidário não passa de uma irregularidade formal-adminstrativa, punível apenas com multa civil, a ser aplicado ao partido infrator pela Justiça Eleitoral.
    Ou seja, aquele processo do “mensalão do PT” não passa de um entulho inútil, que torrou uma montanha de dinheiro público a troco de NADA. Ali não há uma mísera prova de crime algum, porquanto tudo não passou de uma malograda tentativa de golpe para derrubar o LULA.
    Isso significa que todos os réus serão absolvidos. Repito: TODOS.

  13. Ailton,

    Estava pensando em comentar o tema, mas aí vem a Taciana e…PIMBA! Golaço! Disse tudo o que eu queria dizer.
    Só um adendo: Caixa 2 é crime SIM, especialmente quando utiliza recursos públicos, como foi o caso do financiamento da campanha eleitoral que levou Lula à Presidência. O PT passou 20 anos dizendo-se ético, mas quando surgiu a possibilidade do poder fez a mesma coisa que os partidos tradicionais sempre fizeram e continuam fazendo: Caixa 2. O problema no Brasil é que se a justiça fosse condenar todos que fazem Caixa 2 não sobraria ninguém. É por isso que a Oposição Golpista utilizou o termo “mensalão”, porque se falasse em Caixa 2 todos dariam ótimas risadas.
    Ailton, será que o Monner já leu algo a mais que manuais de aviação e a revista veja?
    Abraços,
    Astrogildo

  14. sem querer por fogo, mas a conselheira ministra que digamos deu um pseudo empurrão nesse assunto mais do que requentado é a sra mãe de Eduardo campos, captaram?

  15. Só lhe resta chorar Monner e voltar pra São Paulo se ainda acredita que o Serrõquio vai ganhar lá.

  16. Taciana, Astrogildo e Fransuêldo,

    Parabéns pela extrema lucidez das argumentações e pela paciência de Jó expressa nas respostas, muitas delas relativas a argumentações superficiais e agressões fortuitas de quem apenas reverbera suas leituras sem a menor criticidade das “versões” veiculadas pela mídia tradicional.

    Vocês são pessoas notáveis.
    Quem dera o Brasil e mais especificamente Natal contasse com mais mentes esclarecidas e esclarecedoras tal qual a de vocês.

    Abraços.