TEUS OLHOS GUARDAM SEU SILÊNCIO
Todos sabem da minha paixão pela poesia de e.e. cummings. Edward Eastlin Cumrnings (este é seu nome de batismo), nasceu em 14 de outubro de 1894, em Cambridge, Massachusetts.
Estudou em Harvard onde se especializou em literatura grega. Seu primeiro livro de poemas, “Tulips and Chiinneys”, saiu em 1923. Falecido em setembro de 1962, aos 67 anos de idade, cummings pertence à estirpe dos inventores da poesia moderna.
Abominado por críticos e poetas conservadores , cummings mereceu, em contrapartida, a admiração de escritores do porte de Marianne Moore, William Carlos William, John dos Passos e Ezra Pound.
Foi casado três vezes. A primeira mulher, Elaine Orr, que o desposou em 1918, deu-lhe a única filha, Nancy. Com a segunda mulher, Anne Barton, o poeta se casou em 1927, divorciando-se alguns anos depois.
Marion Moorehouse, que conheceu em 1932, seria a grande e definitiva companheira. Elaine Orr casou-se novamente e foi viver na Inglaterra, levando a filha, a quem ocultou a identidade paterna. Somente quando foi morar nos EUA em 1948 e já tinha 28 anos é que Nancy veio a saber, do próprio Cummings, que ele era seu pai.
Richard S. Kennedy conta essa novela com laivos kafkianos, em sua biografia do poeta, Dreams in the Mirror (1980).
É dele, cummings, este belo poema, citado aliás por um dos personagens de ”Hannah e suas irmãs”, de Woody Allen:
Em algum lugar onde nunca estive, e felizmente aquém
de qualquer experiência, teus olhos guardam seu silêncio :
em teu gesto mais frágil, há coisas que me envolvem
ou que não posso tocar porque estão muito próximas
teu olhar mais leve facilmente me descerra
embora eu me tenha fechado como dedos,
e me entreabres sempre, pétala por pétala, como a primavera
(por toques habilidosos, misteriosamente) abre a primeira rosa
ou se teu desejo é me fechar, eu e
minha vida nos fecharemos formosa e rapidamente
como quando o coração desta flor imagina
que a neve – cuidadosamente – está caindo em toda parte;
nada do que podemos perceber neste mundo, se compara
ao poder de tua intensa fragilidade : cuja textura
me compromete com a cor de seus países
e me entrega para sempre a morte cada vez que respiro
(nada sei do que te faz tão poderosa
ao me mover; mas algo em mim compreende apenas
que a voz de teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem as mãos assim tão pequenas.
A poesia de cummings é para ser consumida diariamente, sempre em doses excessivas.
Faz bem a alma.



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11/11/08 às 2:38
Linda poesia!
Cummings parece com Drummond (ou o contrário).
Zeca baleiro musicou e canta essa poesia em seus shows, aliás, lindamente.
Realmente um brinde refinado aos leitores.
11/11/08 às 16:21
Ailton, existe uma música do Zeca Baleiro, que é totalmente inspirado nesse poema, e é uma das musicas que mais gosto do Zeca.
veja o link abaixo
http://letras.terra.com.br/zeca-baleiro/49387/
Abraços
11/11/08 às 16:22
Ailton este poema foi musicado por Zeca Baleiro.
13/11/08 às 12:29
Obrigado pela dica, eu realmente não sabia que Zeca Baleiro havia musicado este belo poema.