Na “Folha”, Elio Gaspari critica a postura dos ministros o ministro do STF Marco Aurélio Mello e o procurador Geral Roberto Gurgel por transformar o julgamento do mensalão num grande baile de carnaval ao mesmo tempo que elogia Rosa Weber e Carmen Lúcia. Segue na íntegra:
QUEREM CARNAVALIZAR o julgamento do mensalão. O procurador-geral, Roberto Gurgel, viu-se acusado de “desonestidade intelectual” pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (pode me chamar de Kakay) numa peça de oratória produzida no piano-bar do restaurante Piantella. Na noite de segunda-feira, o advogado do comissário José Genoino pediu ao pianista que tocasse o tema de “O Poderoso Chefão”.
Noutro pretório noturno, o bar do hotel Naoum, advogados de defesa dos 38 réus organizaram uma espécie de “bolão”. Como votará a ministra Cármen Lúcia? “Essa condena até Papai Noel.” Marco Aurélio Mello: “Subiu no muro”.
Do outro lado da tribuna, o ministro Marco Aurélio Mello tornou-se uma espécie de comentarista olímpico do julgamento. Terminada a sessão, discute o processo.
Numa entrevista aos repórteres Fausto Macedo e Felipe Recondo, deu à “Ação Penal 470″ uma nova dimensão: “Você acha que um sujeito safo como Lula não sabia?” A pergunta, solta, é uma simples e relevante insinuação. Num voto articulado, pronunciado na corte, seria muito mais. De qualquer forma, Nosso Guia não está acompanhando o caso, pois “tem mais o que fazer”. Pena que não declare seu interesse pelo futuro de tão diletos companheiros. Sabia-se que Lula era um daqueles ursos que comem os donos, mas não se esperava que comesse José Dirceu desse jeito.
Não há notícia de formação de uma mesa de advogados no bar do Metropolitan Club de Washington para jogar conversa fora durante um julgamento na Corte Suprema. Também não há notícia de um Ministério Público que coloca na internet uma página infantil intitulada “Turminha do MPF”, com uma espécie de “mensalão para jovens”.
Há faíscas de vaidade no Supremo, mas há também aulas de rigor. A eloquência dos ministros Celso de Mello, Cármen Lúcia e Rosa Weber está no silêncio. Aliás, quem gosta de atribuir lances de vaidade às mulheres, deveria registrar que até hoje passaram três pelo Supremo. Todas demonstraram que “pavão” é um substantivo masculino. (Quem já ouviu falar em pavoa?)
O Supremo Tribunal Federal é chegado a rituais versalhescos. Seus ministros são acolitados por servidores chamados de “capinhas”. Levam-lhes papéis, água e recados. Além disso, são encarregados de empurrar e puxar suas cadeiras, como se esse movimento banal precisasse de ajuda. Coisa de rei. (Um ministro conta que várias vezes quase foi ao chão.)
A tendência carnavalizadora faz bem ao espírito nacional. Instalada uma CPI com parlamentares safando seus aliados, surge uma “musa”.
Reunida no Rio uma conferência internacional que vai acabar em nada, a cidade carnavaliza-se e o mundo alegra-se. (Durante a Rio+20, maloqueiros da Glória compraram cocares no Saara para filar as quentinhas que eram dadas aos índios que flechavam o BNDES.)
Se há um teatro para produzir nada, carnaval é o melhor remédio, mas esse não é o caso do julgamento do mensalão. Ele produzirá resultados duradouros para o Judiciário e, sobretudo, para o futuro das maracutaias da política nacional.
Se o julgamento ficar nos autos e naquilo que se diz na corte, algo de novo estará acontecendo no Brasil. Prova disso foram as sessões em que falaram a Procuradoria e os primeiros advogados de defesa. Bar é bar, tribunal é tribunal.

Ailton,
Depois de assistir alguns minutos e alguns trechos do “discurso” do procurador Gurgel, nas acusações do pseudo “mensalão”, sem brincadeira, fiquei estarerecido com seu nilismo tupiniquim à brasiléia. Um verdadeiro ante-democrático. Jogou as provas dos réus no lixo.
Na minha sã conciência será que eu escutei bem? depois de vários momentos, o sr Gurgel, repetindo o que a sua mídia sem vergonha repete a mais de 5 anos, vem ele, com uma frase quase dita de efeito se não fosse tão promiscua, pensamento só dos fascistas mais imcompetentes e ridículos – “teoria do domínio de fato”.ou seja, não importa as provas e sim uma teoria de domínio midiatrio. Pode? Um fantasiosista; – e ele parece mesmo com um fantasma.
“Ou seja, Gurgel sustentou a idéia reacionária de que a falta de provas contra José Dirceu seria exatamente a prova de que ele era o chefe da quadrilha. E, como os depoimentos constantes nos autos desmentiam a sua fantasia acusatória, Gurgel resolveu desconhecê-los completamente. ” – sacou o início de todo o seu processozinho? Cara de pau!
Um acusador do MPF despresar todas as provas de processo? nem na ditadura; a ditadura pelo menos ainda copiava algumas coisas dos processos. “o MP só se baseou em depoimentos da CPI e do inquérito policial”. “Não naqueles tomados em juízo, durante a instrução processual”.
É de dá pena, no sugeito procurador. Discurso totalmente idiologizado; como se aqueles juizes fossem todos marionetes dele.
Calma srs candidatos a adivogados, tem mais.
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Sobre a viagem a Portugal, lembram? O que fez a defesa de José Dirceu? Arrolou as testemunhas que participaram dessa reunião.
O que tem mais validade? o interrogatório de Roberto Jefferson ou testemunhas que foram arroladas e têm o dever de dizer a verdade porque podem ser processadas por falso testemunho? E as testemunhas desmentem cabalmente essa informação. O presidente da Portugal Telecom desmentiu o depoimento de Roberto Jefferson”.
Vou parar por aqui se não a aula vai custar muito cara. O cara tá cego pela idiologia neo-liberal ou prometeram alguma coisa pra ele?
Como não ha provas sobre “mensalão” o cara pirou. O negócio dele é com a esquerda e os sociais democratas do Brasil. O cara é um tucano fervoroso e não pára de pegar no bico.
Eu, hem!
Marco Aurélio Mello é uma vergonha para o STF, assim como Gilmar Mendes – por motivos já de conhecimento público – e Lewandovisk, que passa longe de ter um currículo à altura das exigências do cargo.
Mas, de todos, o que acho mais desprezível é Marco Aurélio, pelo seu modo pedante e arrogante, seu conservadorismo e modos aristocráticos, como se fosse um verdadeiro “Rei” a falar aos súditos ignorantes, mas, espero, uma hora o “título nobliárquico” dele vai ser retirado.