Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

UM SECRETÁRIO CONTRA O CRIME

Precisamos urgentemente de um Andrea Matarazzo aqui na Taba.

Para quem não sabe, trata-se do secretário das Subprefeituras de São Paulo.

Matarazzo pôs ordem nas ruas, avenidas e praças da capital paulista.

O homem gosta de brigar com quem considera infrator. Não importa se um empresário da Oscar Freire, a rua do comércio de luxo de sampa, ou o dono de uma oficina na região da Cracolândia.

Na quarta-feira passada, após vistoriar uma limpeza nos canteiros da Avenida dos Bandeirantes, disparou três telefonemas em menos de quinze minutos. Mandou derrubar um barraco que havia sido construído em uma praça, retirar uma faixa que anunciava serviços esotéricos e apreender um caminhão que vendia frutas na Avenida Indianópolis.

Pouco depois, barraco, faixa e caminhão foram retirados.

Acredita que, ao ser duro com quem está irregular, dá exemplo aos demais.

Só no ano passado, interditou 135 casas noturnas, 166 ferros-velhos, 178 restaurantes e 816 bares. Ao todo, foram 1•793 fechamentos (uma média de quase cinco por dia).

Retirou mais de 7.000 camelôs não cadastrados de pontos como o Largo Treze de Maio, em Santo Amaro, o Largo da Concórdia, no Brás, e o centro de São Miguel Paulista. No Largo Treze, a simples expulsão dos ambulantes levou o número de roubos e furtos na região a cair cerca de 20%.

Há quem o compare Matarazzo a William Bratton, o policial que criou o tolerância zero na época que Rudolph Giuliani administrou Nova York.

Faz sentido.

Os dois – cada um no seu galho - recuperaram a imagem das duas metrópoles.

Matarazzo ganhou esta semana um perfil simpático da “Veja São Paulo”.

O texto, assinado pelos jornalistas Camila Antunes e Alessandro Duarte, começa assim:

Pelas ruas da Cracolândia, reduto de tráfico, consumo de drogas e baixo meretrício na vizinhança da Sala São Paulo, circula por volta da meia-noite um DaimlerChrysler blindado, ano 1997. Ao volante, o homem impecavelmente bem vestido parece ter saído de um concerto da Orquestra Sinfônica do Estado. Sua camisa branca sob medida traz as iniciais A.A.M. bordadas. Nos punhos reluzem abotoaduras com o monograma de família. Inconformado com o que vê a seu redor, ele localiza um contato na agenda do celular, liga e pergunta: “O caminhão de lixo já passou pela Rua Mauá?”. Em seguida, aciona o delegado titular da 1ª Seccional da Polícia Civil, que cuida da região central, Dejar Gomes Neto, e pede a presença de uma viatura. “Muita gente ainda vem aqui para usar drogas”, diz o secretário municipal Angelo Andrea Matarazzo. “Outro problema grave são os carroceiros que descarregam entulho de madrugada no meio da rua.”
Desde que assumiu a Coordenação das Subprefeituras, em abril de 2006, Matarazzo quase nunca volta para casa, no Morumbi, sem dar um giro pela Luz ou por algum outro bairro. E dificilmente faz isso antes das 22 horas, quando encerra seu expediente. “Às vezes rodo a Avenida 23 de Maio de ponta a ponta”, conta. Aproveita para inspecionar a adequação à Lei Cidade Limpa, que proibiu outdoors, painéis e banners, além de redimensionar letreiros e totens dos estabelecimentos comerciais. Outras atribuições de seu cargo, que lhe dá poderes no município só menores do que os do prefeito, são zelar pelos serviços de varrição, combate a enchentes, poda, recapeamento e pintura antipichação. “Acabo neurótico com cada buraco no meio do caminho.” O homem gosta de brigar com quem considera infrator. Pode, às vezes, parecer demagogia, mas o que ele faz em geral é bom para a vida da cidade.

Que falta faz um homem dessa estirpe na Prefeitura de Natal.

Ranieri Barbosa não passa de uma fraude. Infelizmente. 

Para ler o texto na íntegra clique aqui.

5 respostas para 'UM SECRETÁRIO CONTRA O CRIME'

  1. João Diz:

    Já que não posso indicar, pois não tenho “pedigree”, sugiro o nome do vereador Emilson Medeiros para o cargo. Já pensou? Não pense, senão dói…

  2. João Diz:

    Ailton,
    Segue uma contribuição ao blog.

    Cartas de Estocolmo
    Regras versus jeitinho

    A regra número um da boa convivência entre estrangeiros e nativos na Suécia diz o seguinte: seja bem-vindo, desde que você respeite as regras.

    E com algumas semanas fora, as diferenças são sentidas de forma mais aguda…

    Enquanto no Brasil a gente conta com a simpatia, a compaixão e o famoso jeitinho brasileiro, para o bem ou para o mal, aqui são as regras que valem, também para o bem ou para o mal.

    Com pouco tempo hábil para tirar carteira de identidade, renovar carteira de habilitação e retirar novo passaporte para um filho, perdi preciosas horas do convívio familiar, no Brasil, em filas e viagens desnecessárias.

    Mas contei com a compreensão das pessoas, sempre um sorriso simpático, o charme dos guardas de plantão, aquela frase alegre e também irresponsável que desarma sua tensão, a bondade dos que entendem seu problema…

    E aí vem essa coisa onde a gente não sabe se sorri de volta ou se fica irritada com a ineficiência e a perda de tempo; se agradece ou se apresenta uma queixa pelas dificuldades criadas onde afinal não havia
    nenhuma. Era gozação ou má vontade? Era charme ou abuso de poder? É a cultura ou a falta de cidadania?

    Na Suécia, não conte jamais com charme, simpatia e paciência como forma de resolver problemas burocráticos. O que vale é a inflexibilidade da lei.

    Claro que vale também a segurança que as regras dão, a certeza dos direitos respeitados, ainda que o agente da lei ou o funcionário não vá com sua cara. E os prazos se cumprem à risca!

    O que significa que se alguém diz que um documento tarda cinco dias em chegar… não adianta chorar e pedir porque não dá para resolver antes…

    No Brasil, os prazos são relativos, os computadores não funcionam e o famoso “estamos sem sistema” atrasa tudo, complica tudo! A gente fica estressada.

    Mas saí daí com todos os papéis em dia… e com tantos sorrisos recebidos que acho ter acumulado o necessário para uns seis meses…

    Será que não dá para ter simpatia e respeito, sorrisos e eficiência ao mesmo tempo não?

    Parece que estou querendo demais… e já estou com saudades!

    Texto enviado por Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, baiana de Itabuna. Fez mestrado em Economia na UnB. Morou em Santiago do Chile nos anos 90. Vive há oito anos em Estocolmo, onde concluiu doutorado em Economia Ambiental

  3. fabio Diz:

    O Ranieni não é uma FRAUDE. É DESPREPARADO, mesmo!

  4. Heráclito /P.Ferros Diz:

    Ailton são de pessoas assim que precisamos para atuar em diversas pastas do nosso executivo. Coisa dificil em nosso país, pois a maioria das pessoas que exercem estas funções são políticos ou pessoas muito ligados a eles e não querem tomar atitudes mais enérgicas pois sabem que muitas vezes isto pode le render percas de votos.

  5. Daniel Diz:

    Estou indignado pelo ocorrido, no caminhao de frutas na avenida Indianopolis, pois eu juntamente com a minha avo presenciamos atuacao na prefeitura com mais de 10 fiscais que sem mais e nem menos chegaram com uma viatura da prefeitura aprendendo todas as frutas com seus modos grosseiros, deixando o Sr q ali trabalha a varios anos sem reacao e sem defesa, os fiscais diziam estar a mando do tal Andrea matarazzo…NO MAIS SO ME RESTA DIZER Q COVARDIA Q VOCES FIZERAM!!!!!!!

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