Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

UMA PETISTA QUE NUNCA FOI PETISTA

Juro, eu demorei a entender (e até a concordar) com Paulo Henrique Amorim quando o jornalista sugeriu ao leitor brasileiro que ignorasse nossos jornais e lesse mais a mídia estrangeira.

Um exemplo.

Reportagem da ”Folha” desta sexta-feira informa que a substituição de Jorge Rachid pela economista Lina Vieira reforça o PT na Receita. 

Como, eu não sei, mas o jornal tenta explicar.

Leia trechos da reportagem, comento em seguida.

Depois de cinco anos e sete meses de governo Lula, a Receita Federal ficará sob controle petista. O ministro Guido Mantega (Fazenda) deu posse ontem a Lina Vieira, funcionária de carreira do órgão, indicada para o posto pelo secretário-executivo Nelson Machado.

Segundo homem do Ministério da Fazenda, o petista Machado é apontado como o assessor escolhido pelo chefe para controlar a Receita Federal, tida como muito autônoma durante o período de Jorge Rachid à frente do órgão.

Desde o início do governo Lula, petistas tentavam derrubar Rachid, último remanescente da equipe do ex-ministro Antonio Palocci e classificado de tucano por ter sido uma indicação de Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal no governo FHC.

Uma das munições usadas para enfraquecer Rachid era sua proximidade com um grupo de assessores da Receita acusados de negociar com empresas mudanças de legislação tributária - já demitidos.

Mantega já havia tentado afastar Rachid pelo menos duas vezes, mas foi dissuadido pelo presidente Lula pelo fato de ele comandar uma área considerada estratégica: a arrecadação federal, que saltou de R$ 35,7 bilhões em janeiro de 2003, em valores atualizados, para R$ 54,4 bilhões no mês passado.

Na última tentativa, aliás, o ministro quis indicar Nelson Machado para o posto, diante da fusão da Receita Federal com a Receita Previdenciária. Machado, ex-ministro da Previdência, acabou sendo indicado para a secretaria executiva da Fazenda.

Peraí, conheço Lina há mais de dez anos, ela nunca foi petista. Lina é, sim, uma funcionária de carreira, competentíssima, honesta e totalmente apartidária, tanto é verdade que foi secretária de Tributação de Garibaldi Alves, do PMDB, de 1994 a 1998, e recentemente de Wilma de Faria, do PSB. Nenhum dos dois, que eu saiba, é petista.

Antonio Palocci, que eu sabia, também não é tucano, como insinua a “Folha”. E não vejo tanta relevância no fato de Jorge Rachid manter relações com tucanos. Ora, se isso fosse tão relevante, Henrique Meirelles, eleito deputado federal em 2002 pelo PSDB, não seria, como é até hoje, presidente do Banco Central.

Os jornais brasileiros me entediam cada vez mais.

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