Aílton Medeiros
"Não consigo tomar partido por um sujeito, por um partido, por uma classe, por um país, por um filósofo, ou mesmo por uma filosofia, por um poeta, por uma escola literária, por um regime político. Tenho horror ao um..." (Alceu Amoroso Lima)

UMA REVISTA NO BANCO DOS REÚS

A redação de “Veja” entrou em pânico com a prisão do banqueiro Daniel Dantas. O banqueiro era fonte da revista e um de seus maiores anunciantes.

Reinaldo Azevedo postou há pouco um artigo onde Dantas é tratado como vítima, o que só faz confirmar a suspeita levantadas pelo jornalista Luis Nassif de que a revista sob a direção de Eurípedes Alcântara se tornou refém dos interesses do banqueiro.

Dantas tem uma das maiores bancadas do Congresso, é amigo e financiador dos senadores José Agripino Maia e Heráclito Fortes, e sua única irmã, Verônica, é sócia da filha do governador José Serra.

A propósito de Nassif, um dos capítulos de sua série sobre “Veja” é dedicado as relações do banqueiro com a direção da revista.

Leiam trechos:

Na longa noite de São Bartolomeu, tudo foi permitido à direção da revista Veja. Poucas vezes se assistiu na imprensa brasileira a tal festival de violência gratuita, de deslumbramento, de demonstração de força, de ataques generalizados contra a honra de terceiros, atropelando normas básicas de jornalismo para auto-promoção, como novos ricos do poder.
Assemelhavam-se a um bando de alucinados armados, atirando contra qualquer vulto que se mexesse à sua frente.
Muitos episódios ficarão na lembranças dos leitores. Não apenas as capas de uma agressividade incompatível com uma grande publicação, mas as matérias estranhas de assassinatos de reputação em disputas comerciais, a manipulação da listas dos livros mais vendidos para beneficiar um diretor da revista.
Dentre todos os assomos de anti-jornalismo, a herança que terá desdobramentos quando todos os detalhes forem conhecidos, serão os motivos que levaram a direção da revista a praticar e permitir que o colunista Diogo Mainardi praticasse o mais escancarado lobby empresarial que a grande imprensa brasileira tida por séria já produziu. E em defesa do mais polêmico empresário brasileiro, Daniel Dantas, preso pela Polícia Federal sob a acusação de formação de quadrilha.
O episódio é relevante para se aprofundar sobre o papel da mídia nesse jogo, dos jornalistas que, sob a batuta de Dantas, manipularam informações com o claro intuito de influenciar o Judiciário.
É o caso de Diogo Mainardi.
Desde a morte de Paulo Francis se apresentaram vários candidatos à sua sucessão. No Estadão, Daniel Piza; na Folha e no sistema Globo, Arnaldo Jabor, que acabou levando o cetro por seu conhecimento, talento e histrionismo. E uma malandragem tipicamente franciana.
Mainardi foi a aposta de Veja, forçada em quem não dominava princípios básicos de política, economia, de história e tinha evidente dificuldade em diversificar temas para suprir uma coluna apenas semanal.
Copiava Jabor, mas sem sua cultura e o talento de Jabor, a diferenciação se dava na grosseria e na certeza de contar com as costas largas da Abril - garantindo advogados e pagamento das condenações pecuniárias.
Rompidos os limites jornalísticos, o que se seguiu foi mera conseqüência.
As ligações com Daniel Dantas surgiram a partir de 2005. Dois episódios em particular expuseram a revista de maneira imprudente.
A primeira foi na confusão em que a revista se meteu no episódio das contas de autoridades no exterior (O dossiê falso). Como se recorda, o material foi fornecido por Dantas; o editor incumbido de ir atrás apurou que era falso. Para salvar a cara de Dantas, o diretor da revista Eurípedes Alcântara incumbiu Mainardi de conseguir uma “entrevista” com o próprio Dantas, que serviria como contrapeso à revelação sobre a falsificação (O dossiê falso).
Mainardi trouxe um relatório claramente preparado pelos próprios advogados de Dantas, com as perguntas e respostas prontas. O amadorismo editorial da revista não a levou sequer a adaptar a entrevista aos padrões da própria revista – consolidados há três décadas, pelo menos.
O segundo – mais grave – foi nos eventos que cercaram as negociações da Brasil Telecom com a Telemar. Para se prevenir contra denúncias, que poderiam enfraquecer sua posição negocial, Dantas acionou Mainardi de forma intensa.
Criou-se um gancho – o tal relatório que estaria sendo preparado pelo Ministério Público italiano, cujas informações Mainardi vazava seletivamente. 
Mainardi passou a mencioná-lo constantemente, com insinuações de que conteriam denúncias contra jornalistas brasileiros que supostamente teriam sido subornados.
Aqui no Blog, desafiei-o a abrir as informações, com base em um princípio elementar: jornalista (ainda que parajornalista) que diz ter uma informação, não a divulga e a utiliza como ameaça é chantagista. O desafio desarmou o blefe. E aí Mainardi se perdeu.
A série “O Caso de Veja” já conseguira chamar a atenção da opinião pública esclarecida, incluindo as redações. Os capítulos acabaram jogando um holofote sobre sua atuação.
Mesmo assim, não parou, provavelmente devido a compromissos que o impediriam de interromper o lobby. As negociações entre Dantas e os controladores da Telemar estavam a pleno vapor. As denúncias vazadas para Mainardi visavam coibir as críticas - através de chantagem explícita -, enrolar a opinião pública de maneira a fortalecer a posição de Dantas. Em plena batalha, não se viu em condições de suspender sua operação.
Com a credibilidade abalada, decidiu publicar uma nova coluna e colocar na Internet o tal relatório, em PDF. Foi sua perdição. Leitores do Blog constataram que, ao contrário do que Mainardi afirmava, o relatório fora escaneado no Brasil, páginas haviam sido suprimidas denotando manipulação.
Nesse ínterim, a revista CartaCapital conseguiu entrevistar Angelo Jannone, ex-chefe da segurança da Telecom Italia no Brasil - e alvo de investigações do Ministério Público italiano. Mainardi julgou que tinha conseguido o seu álibi.

Mais detalhes, clique aqui.

3 respostas para 'UMA REVISTA NO BANCO DOS REÚS'

  1. JAIME Diz:

    O melhor foi a parte que mostrou na Globo, que o Dantas falou que estava com receio da 1 instancia porque nas outras esferas do judiciário ele ganhava FÁCIL! esse judiciário e a mídia estão tão ou mais corrompidos que o executivo e legislativo.

  2. JAIME Diz:

    Uma coisa muito suspeita! é que depois de passar a gravação do diálogo acima o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes foi a televisão criticar a ação da PF…

  3. Magno Bezerra Diz:

    estou ansioso para ler a próxima coluna do mafioso diogo mainardi. aposto que ele vai por a culpa no PT e também em Lula. vamos esperar a coluna daquele vagabundo metido a bossal.

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